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O governo do presidente americano Donald Trump enfrenta uma nova controvérsia sobre seus poderes de guerra, ao argumentar que o prazo legal de 60 dias para conduzir hostilidades sem autorização do Congresso foi suspenso pelo cessar-fogo negociado com o Irã em 7 de abril.

Disputa jurídica sobre poderes presidenciais

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, apresentou a posição do governo em audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado. Segundo a interpretação da Casa Branca, o conflito com o Irã está temporariamente suspenso, o que interromperia a contagem do prazo estabelecido pela Lei dos Poderes de Guerra.

Especialistas em direito constitucional questionam essa avaliação e preveem que a questão deve ser judicializada, podendo chegar à Suprema Corte. "Vários juristas contestam essa interpretação do governo", explica um analista familiarizado com o caso.

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Tensão política em ano eleitoral

A disputa ocorre em um ano eleitoral crucial nos Estados Unidos, onde os democratas buscam capitalizar o sentimento antiguerra da população. Pesquisas indicam que mais de 60% dos americanos se opõem ao conflito com o Irã.

"Pode ser que a Suprema Corte decida a favor do Trump, mas isso fortalece o sentimento antiguerra, que é bandeira dos democratas, e reforça suas possibilidades nas eleições de novembro", avalia um especialista em política americana.

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Divisões no Partido Republicano

A insatisfação com a guerra começa a criar fissuras mesmo entre os republicanos. A senadora Susan Collins, do Maine, mudou sua posição e votou a favor de restringir os poderes de guerra do presidente, divergindo da liderança do partido.

Na audiência com Hegseth, Collins afirmou categoricamente:

"Não tínhamos nenhuma prova de que o Irã pretendesse atacar este país iminentemente. Portanto, discordo da sua avaliação de que estamos sob ameaça"

Apesar da posição de Collins e do senador Rand Paul, do Kentucky, uma resolução para bloquear os poderes de guerra de Trump foi rejeitada por 50 votos contra 47 no Senado.

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Impacto econômico e opinião pública

O aumento nos preços dos combustíveis, parcialmente atribuído ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, tem amplificado o descontentamento popular. A média do preço do galão de gasolina nos Estados Unidos atingiu US$ 4,39, representando um aumento de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

"A sociedade americana depende do carro, e muitas pessoas estão gastando uma fortuna para encher o tanque", observa um analista. Na Califórnia, o valor chegou a US$ 6,06 por galão, o nível mais alto em quatro anos.

As eleições de novembro, que renovarão toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado, podem alterar o equilíbrio de poder no Congresso, atualmente com pequena maioria republicana.

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