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O governo do presidente argentino Javier Milei enfrenta uma crise múltipla que combina retomada da inflação, queda na atividade industrial e escândalos de corrupção que corroem sua popularidade.
A inflação, que havia sido reduzida para cerca de 2% ao mês durante 2025, voltou a acelerar entre o final do ano passado e início de 2026, atingindo 3,4% em março deste ano.
Plano econômico sob crítica
Especialistas apontam que a estratégia econômica baseada na redução do Estado e austeridade fiscal não tem sido suficiente para estabilizar a economia argentina. O peso está sobrevalorizado, o que tem prejudicado a indústria nacional.
"Esse mergulho da atividade manufatureira é fatal para o país porque esse setor é responsável por aumento de produtividade, por ganhos tecnológicos", analisa um economista.
"Essa abertura comercial violenta que o Milei tem feito também destrói o pouco que restou de indústria na Argentina."
A tendência, segundo análises, é de uma Argentina cada vez mais desindustrializada, focando a economia apenas no setor agroexportador de matérias-primas.
Escândalos de corrupção abalam governo
Além dos desafios econômicos, investigações sobre suposto enriquecimento ilícito de membros do governo contribuem para a queda na popularidade. O chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, tem sido questionado sobre viagens de luxo e aquisição de imóveis aparentemente incompatíveis com sua renda.
Pesquisas de opinião registram índices de desaprovação superiores a 60%, os piores números desde que Milei assumiu a Casa Rosada em dezembro de 2023. Um levantamento do final de abril indicou reprovação de 63%.
Segundo consultorias, 66,6% da população avalia que se "quebrou" a promessa "anti-casta" de combate à corrupção que foi central na campanha de Milei.
Contexto político e medidas polêmicas
O cenário político mostra uma oposição desorganizada, o que, paradoxalmente, tem sido um fator favorável ao governo. Analistas apontam que a desaprovação da população em relação às alternativas políticas ameniza parte da pressão sobre Milei.
Em meio à crise, o governo adotou medidas controversas contra a imprensa. No final de abril, proibiu a entrada de jornalistas na Casa Rosada, afetando cerca de 60 profissionais que cobriam o Poder Executivo em Buenos Aires.
Após críticas por violação à liberdade de imprensa, a sede do governo foi reaberta para repórteres na última segunda-feira, mas mantém restrições à circulação.
Em sinal positivo, a consultoria Fitch Rating elevou a nota de crédito da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva de estabilidade, reconhecendo melhorias na situação fiscal e na balança externa do país.
O movimento fez a bolsa de Buenos Aires operar em alta nesta quarta-feira, embora especialistas alertem que isso não muda o quadro geral desafiador da economia argentina.









