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A Polícia Civil de Roraima cumpriu nesta quarta-feira, 7, um mandado judicial de busca e apreensão contra um autônomo de 40 anos suspeito de compartilhar vídeos íntimos de sua ex-namorada. A operação ocorreu no bairro Jardim Primavera, zona Oeste da capital Boa Vista, como parte das investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher desde abril deste ano. O caso envolve denúncias de violência doméstica, psicológica e a divulgação criminosa de conteúdo sexual sem consentimento da vítima, uma jovem de 18 anos que mantinha relacionamento com o investigado desde novembro do ano passado.

Durante a ação policial, agentes da PCRR realizaram buscas minuciosas para apreender aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam servir como provas concretas da suposta prática criminosa. A delegada Carolina Huppes, responsável pela investigação, explicou que o processo teve início após a vítima relatar um histórico contínuo de violência psicológica e física por parte do companheiro. Além das agressões, o suspeito teria promovido humilhações públicas, destruído bens pessoais da mulher e subtraído seu aparelho celular mediante violência.

Contexto da violência doméstica em Roraima

O caso ocorre em um momento em que Roraima registra aumento nas denúncias de violência contra mulheres. Dados do Tribunal de Justiça do estado mostram que os processos relacionados à Lei Maria da Penha cresceram 18% nos últimos dois anos na capital Boa Vista. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, vinculada à Polícia Civil roraimense, tem reforçado suas equipes para enfrentar crimes dessa natureza, que incluem desde ameaças e agressões físicas até danos patrimoniais e controle coercitivo sobre a vida das vítimas.

No contexto específico deste inquérito, a delegada Huppes destacou que a divulgação não autorizada de imagens íntimas configura grave violação à dignidade sexual e emocional.

"A Polícia Civil atua com rigor no enfrentamento à violência doméstica e aos crimes contra a dignidade sexual da mulher", afirmou a autoridade policial.

Ela ressaltou ainda que as buscas cumpriram seu objetivo principal e que as investigações seguem em andamento para apurar todas as circunstâncias do caso.

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A prática de compartilhar conteúdo íntimo sem consentimento tem ganhado atenção especial das autoridades roraimenses nos últimos meses. Em março deste ano, o Ministério Público do Estado realizou uma campanha educativa nas escolas públicas de Boa Vista alertando sobre os riscos jurídicos dessa conduta. A legislação brasileira prevê pena de um a cinco anos de reclusão para quem divulgar cena de sexo ou nudez sem autorização, conforme o artigo 218-C do Código Penal, incluído pela Lei 13.718/2018.

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Perfil das vítimas e rede de apoio

Estatísticas da PCRR indicam que mulheres entre 18 e29 anos representam 65% das vítimas em casos de violência doméstica com agravante digital em Roraima. Muitas delas relatam ter sofrido chantagem emocional, ameaças de exposição e controle sobre suas redes sociais por parte dos agressores. A rede de apoio estadual conta com serviços como a Casa da Mulher Brasileira em Boa Vista, que oferece acolhimento psicossocial, orientação jurídica e medidas protetivas emergenciais.

No caso específico desta investigação, a vítima buscou ajuda policial após meses de convivência marcada por comportamento controlador do parceiro. Além dos episódios de violência psicológica, ela descreveu situações de agressão física que deixaram marcas visíveis. O suspeito também teria danificado objetos pessoais dela como forma de intimidação e demonstração de poder dentro do relacionamento abusivo.

A juíza responsável pelo Juizado de Violência Doméstica expediu o mandado de busca após analisar as evidências preliminares apresentadas pela DEAM. A decisão judicial considerou a gravidade das acusações e a necessidade urgente de preservar provas digitais que poderiam ser deletadas ou ocultadas pelo investigado. Esse tipo de medida cautelar tem sido cada vez mais comum em casos envolvendo crimes digitais contra mulheres no estado.

Especialistas em segurança digital destacam que Roraima enfrenta desafios específicos nessa área devido à sua posição fronteiriça com Venezuela e Guiana. O fluxo intenso de pessoas através das fronteiras pode dificultar o rastreamento completo em alguns casos, embora as autoridades locais tenham desenvolvido protocolos especiais para investigações transfronteiriças quando necessário.

A Polícia Civil mantém canais específicos para denúncias desse tipo através do telefone 197 e do aplicativo PCRR Digital. As vítimas podem buscar atendimento especializado nas delegacias especializadas ou nas unidades mistas distribuídas pelos 15 municípios roraimenses. Em casos urgentes, a recomendação é acionar imediatamente o número 190 da Polícia Militar para garantir proteção física imediata.

O resultado completo das buscas realizadas no Jardim Primavera ainda será analisado pelos peritos criminais do Instituto Geral de Perícias do estado. Esses profissionais são responsáveis por extrair dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos e construir laudos técnicos que possam ser utilizados tanto na fase investigatória quanto em eventual processo criminal futuro.

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