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Um homem de 41 anos acusado de estupro de vulnerável contra sua ex-enteada foi preso em Roraima após quase dois anos de fuga. F.L.C. está sendo investigado por abusos sexuais que teriam ocorrido quando a vítima tinha entre 11 e 12 anos de idade. A prisão ocorreu nesta semana nas proximidades de Boa Vista, capital do estado que faz fronteira com Venezuela e Guiana.
As investigações começaram em 2022, quando a Polícia Civil do estado recebeu a denúncia sobre os crimes sexuais. Segundo informações da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, os abusos teriam acontecido durante um período prolongado, com a vítima sofrendo violência sexual repetidamente. O caso ganhou força quando familiares da adolescente perceberam mudanças comportamentais e buscaram ajuda das autoridades.
A equipe policial coletou depoimentos, realizou exames periciais e obteve um mandado de prisão preventiva contra o acusado. No entanto, F.L.C. conseguiu fugir antes que a ordem judicial fosse cumprida, iniciando um período de quase 24 meses em que permaneceu foragido. Durante esse tempo, os investigadores mantiveram buscas em vários municípios roraimenses, incluindo áreas rurais e comunidades indígenas.
Operação conjunta resulta na captura
A prisão foi resultado de uma operação conjunta entre a Polícia Civil de Roraima e o Departamento de Operações Especiais. As equipes receberam informações sobre o paradeiro do acusado na região metropolitana de Boa Vista e montaram um cerco na última terça-feira. O homem foi localizado em uma residência simples na periferia da cidade e não resistiu à prisão.
O delegado responsável pelo caso afirmou que a captura foi possível graças a um trabalho de inteligência que monitorou movimentos do acusado durante semanas.
"Conseguimos identificar padrões de comportamento e locais que ele frequentava. A colaboração de testemunhas foi fundamental para fechar o cerco", explicou o policial, que não pode ser identificado por questões de segurança da operação.
F.L.C. foi levado para a delegacia especializada, onde foi autuado pelos crimes de estupro de vulnerável e corrupção de menores. O artigo 217-A do Código Penal estabelece pena de 8 a 15 anos de prisão para quem pratica conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos. A legislação considera a vulnerabilidade da vítima como agravante, podendo aumentar a punição em um terço.
Após a prisão, o acusado passou por exame de corpo de delito e foi encaminhado ao sistema penitenciário do estado. Ele deve permanecer em regime fechado enquanto aguarda julgamento. A defensoria pública já foi acionada para acompanhar o caso, e o Ministério Público de Roraima deve oferecer denúncia nos próximos dias.
Proteção à vítima e acompanhamento psicológico
A adolescente vítima dos abusos recebe acompanhamento psicológico desde que o caso veio à tona. Ela está sob proteção do Conselho Tutelar de Boa Vista e frequenta sessões terapêuticas no Centro de Referência Especializado de Assistência Social. A família também recebe apoio da rede de proteção à criança e ao adolescente do município.
Segundo a coordenadora do programa estadual de enfrentamento à violência sexual contra crianças, o trauma desse tipo de crime exige tratamento prolongado.
"As vítimas de abuso sexual na infância muitas vezes carregam sequelas por toda a vida. O acompanhamento profissional é essencial para que possam reconstruir sua autoestima e seguir adiante", afirmou a especialista.
O caso reforça a importância dos canais de denúncia em Roraima. O Disque 100, o 190 da Polícia Militar e os conselhos tutelares nos 15 municípios do estado estão disponíveis 24 horas para receber relatos de violência contra menores. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, só no primeiro semestre deste ano, foram registrados 47 casos de estupro de vulnerável em Roraima, sendo 32 na capital.
As autoridades alertam que a impunidade pode incentivar novos crimes.
"A prisão desse acusado após tanto tempo foragido manda uma mensagem clara: não importa quanto tempo passe, vamos buscar justiça para as vítimas", declarou o secretário de Segurança Pública do estado.
Ele destacou que a polícia tem investido em capacitação de equipes e tecnologia para investigar crimes contra crianças e adolescentes.
O caso segue sob sigilo judicial para proteger a identidade da menor. O próximo passo será a análise do inquérito pelo Ministério Público, que deve pedir a condenação do acusado com base nas provas coletadas. Enquanto isso, a vítima e sua família tentam reconstruir a vida longe da violência que marcou por anos sua rotina.














