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A Polícia Civil de Roraima realizou nesta semana a exumação do corpo de uma criança de dois meses no município de Uiramutã, região norte do estado. A operação faz parte das investigações sobre um caso de estupro de vulnerável registrado na comarca. Os restos mortais do bebê foram retirados do cemitério local para coleta de material genético destinado a exames de DNA que integrarão a prova técnica do inquérito.
Uiramutã, município com pouco mais de 10 mil habitantes na fronteira com a Guiana, registra o procedimento inédito neste ano. A exumação foi autorizada pela Justiça após solicitação do delegado responsável pelo caso. O material coletado será encaminhado ao Instituto de Criminalística da PCRR em Boa Vista, onde peritos farão a análise laboratorial.
Procedimento técnico
A operação ocorreu com a presença de peritos criminais, policiais civis e representantes do Ministério Público de Roraima. O processo seguiu protocolos forenses para preservação da cadeia de custódia das evidências. Todos os envolvidos utilizaram equipamentos de proteção individual durante o trabalho no cemitério municipal.
A exumação de corpos para fins investigativos não é comum em Roraima, especialmente em municípios do interior. Em casos de crimes violentos contra crianças, no entanto, a medida pode ser necessária quando há suspeita de paternidade ou relação genética com possíveis autores. O DNA coletado poderá estabelecer vínculos biológicos determinantes para a elucidação do crime.
O estupro de vulnerável está previsto no artigo 217-A do Código Penal, com pena que varia de oito a quinze anos de reclusão. Quando a vítima é menor de catorze anos, a lei considera presumida a violência, independentemente de consentimento. Casos envolvendo bebês recém-nascidos são tratados com prioridade pelas delegacias especializadas.
Em Roraima, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) costuma centralizar investigações desse tipo. No interior, as delegacias municipais fazem os primeiros atendimentos e depois podem receber apoio da capital. Uiramutã possui uma delegacia da Polícia Civil que atende os onze municípios da região do Lavrado.
Contexto regional
O estado tem registrado esforços para aprimorar a investigação criminal nos municípios distantes de Boa Vista. A PCRR mantém unidades em todas as quinze cidades roraimenses, com estrutura variável conforme o tamanho da população. Municípios fronteiriços como Uiramutã, Pacaraima e Normandia recebem atenção especial devido às características regionais.
A produção de prova técnica tem sido um dos focos da atual gestão da Polícia Civil. Investimentos em equipamentos forenses e capacitação de peritos buscam reduzir a dependência de institutos federais localizados em outros estados. O Laboratório de Criminalística da PCRR ampliou sua capacidade analítica nos últimos dois anos.
Para casos que exigem exames mais complexos, as amostras coletadas no interior seguem para Boa Vista em veículos refrigerados. O transporte é feito sob escolta policial para garantir a integridade do material. O prazo para resultados varia conforme a complexidade dos exames solicitados pelo delegado.
A Secretaria de Segurança Pública de Roraima não divulgou detalhes sobre o andamento das investigações em Uiramutã para preservar o sigilo processual. A pasta informou apenas que todas as medidas necessárias estão sendo tomadas para elucidar o crime. Familiares da vítima recebem acompanhamento psicossocial através da rede estadual.
O Ministério Público Estadual monitora o caso através da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Uiramutã. Promotores podem solicitar diligências complementares se julgarem necessário para a formação da prova. A cooperação entre polícia e MP tem sido apontada como fundamental para avanço em crimes contra vulneráveis.
Cemiterios municipais em cidades pequenas como Uiramutã geralmente não possuem estrutura adequada para procedimentos forenses. As equipes precisam improvisar condições de trabalho enquanto mantêm o respeito aos restos mortais. A prefeitura local forneceu apoio logístico durante a operação desta semana.
A exumação realizada em Uiramutã representa um marco nas investigações criminais do interior roraimense. O uso crescente de tecnologia forense mesmo em municípios remotos mostra evolução nos métodos policiais. Casos sensíveis como este costumam mobilizar múltiplas instituições do sistema de justiça estadual.














