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A Justiça Federal de Roraima aceitou uma denúncia do Ministério Público Federal que acusa seis pessoas de financiar garimpo ilegal e lavar dinheiro proveniente da extração clandestina de minérios na Terra Indígena Yanomami. O esquema movimentou cerca de R$ 64 milhões em menos de cinco anos.

Esquema milionário com empresas de fachada

De acordo com o MPF, as movimentações financeiras ocorreram entre janeiro de 2017 e outubro de 2021. Os valores não condiziam com a renda declarada pelos investigados à Receita Federal. O dinheiro era recebido em espécie de empresas de fachada e de pessoas usadas como "laranjas".

Os recursos eram então direcionados para custear a atividade garimpeira clandestina, especialmente em áreas do território Yanomami, onde a mineração ilegal tem causado uma grave crise humanitária. Um único envolvido movimentou mais de R$ 11 milhões em pouco mais de três anos.

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Divisão clara de tarefas e lavagem de dinheiro

As investigações apontam que um empresário de Boa Vista liderava a organização criminosa, sendo auxiliado por familiares e outros três colaboradores. Havia uma clara divisão de tarefas entre os membros do grupo.

Após a venda do minério extraído ilegalmente, parte dos lucros retornava aos financiadores, enquanto o restante remunerava os demais integrantes do esquema. Para esconder a origem ilícita do dinheiro, os acusados realizavam transferências sucessivas entre contas próprias, faziam saques fracionados em espécie e utilizavam empresas sem atividade real.

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Equipamentos apreendidos e indenização pedida

Durante as investigações, foram apreendidos equipamentos típicos de garimpo na residência do suposto líder da organização. Entre os itens confiscados estavam bombas hidráulicas, motores e uma resumidora de cassiterita.

Os agentes também encontraram uma balança de precisão e um caderno com anotações detalhadas sobre voos, pagamentos a pilotos, cargas transportadas e quantidades de ouro comercializadas. Em outra diligência, cerca de cinco mil quilos de minério semelhante a cassiterita foram localizados na casa da mãe de um dos investigados.

Nenhum dos denunciados possuía autorização da Agência Nacional de Mineração para extrair, transportar ou comercializar minérios. O MPF pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

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Penas podem ultrapassar 20 anos de prisão

Os seis réus vão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União. A soma das penas pode ultrapassar 20 anos de prisão, caso sejam condenados.

A denúncia representa mais um capítulo no combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, onde atividades clandestinas têm causado devastação ambiental e graves problemas de saúde às comunidades indígenas.

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