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O Governo de Roraima lançou nesta quarta-feira (1/7) o Painel do PIB Trimestral, ferramenta inédita que permite o acompanhamento a cada três meses do desempenho da economia estadual. Desenvolvido pela Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan), o sistema reúne estimativas por setor econômico, séries históricas desde 2020 e dados públicos disponíveis gratuitamente.
Com a plataforma, Roraima se torna o quarto estado da Região Norte a produzir um indicador próprio desse tipo, juntando-se a Pará, Amazonas e Tocantins. A primeira divulgação aponta um crescimento real de 7,5% da economia roraimense no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Todas as informações são públicas e podem ser consultadas e baixadas em formatos abertos, como Excel e CSV.
Por que o painel é trimestral
Até o lançamento da ferramenta, a principal referência sobre o tamanho da economia estadual eram as Contas Regionais do IBGE, divulgadas anualmente e com defasagem de cerca de dois anos. O dado oficial mais recente disponível para Roraima é o de 2023.
O painel da Seplan não substitui a estatística oficial, mas utiliza a mesma metodologia do IBGE, coincidindo com os números do instituto entre 2020 e 2023. A ferramenta preenche a lacuna dos anos que ainda não foram divulgados oficialmente.
“É como se a gente fosse a uma clínica e o médico tivesse acesso apenas a exames de dois anos atrás para tentar tratar o paciente de hoje”, comparou Yuri César Silva, chefe da Divisão de Estudos e Análises Sociais (Dieas).
Luciano Castro, secretário titular, afirmou que o instrumento é estratégico para orientar decisões de governo e do setor privado. “É um instrumento importante, permite corrigir eventuais distorções no nosso caminhar, nas aplicações e nos programas de investimentos do Governo do Estado”, declarou.
“Também é importante para instituições como as Federações da Indústria e do Comércio, que podem utilizar esses dados para conduzir seus segmentos econômicos”, acrescentou.
O que o painel muda para o cidadão
Jádila Andressa Gomes, coordenadora-geral de Estudos Econômicos e Sociais (CGEES) da Seplan, explicou como o dado se traduz em decisões e políticas públicas.
“Vamos supor que o roraimense queira abrir um negócio no segmento de comércio. Ele olha para o PIB do 1º trimestre e vê que Serviços, que inclui comércio e serviço financeiro, foi o segundo setor que mais cresceu. Isso acende um alerta: esse é um setor que está crescendo no Estado, logo é um ramo em que ele pode investir”, exemplificou.
“Quando a gente vê que o PIB está crescendo, significa que a economia está gerando mais emprego, que estão sendo abertas mais empresas, que o dinheiro está circulando. Isso aumenta a confiança do empresário, que vai contratar mais”, reforçou.
Números positivos do 1º trimestre de 2026
O painel mostra que Roraima produziu cerca de R$ 7,58 bilhões no 1º trimestre de 2026. Descontada a inflação, a economia cresceu 7,5% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Mesmo quando se retira o efeito da sazonalidade, o resultado é positivo, com alta de 5,5% sobre o trimestre imediatamente anterior.
A ferramenta traz, ainda, estimativas para 2024 e 2025: crescimento real de 3,7% e 4,8%, respectivamente. Em valores correntes, o PIB nominal de Roraima passou de R$ 16 bilhões em 2020 para cerca de R$ 30,9 bilhões em 2025.
Onde está o crescimento
A leitura por setor mostra o peso decisivo da Administração Pública na economia estadual, movimentando R$ 4,46 bilhões e crescendo 19,85% no 1º trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Os Serviços geraram R$ 2,26 bilhões, com alta real de 5,63%. A Indústria movimentou R$ 1,06 bilhão e recuou 4,21%, enquanto a Agropecuária ficou praticamente estável (R$ 180 milhões, variação de 0,08%).
“O que a gente observa é a magnitude da Administração Pública na nossa economia. Mais de 50% desse primeiro trimestre veio da própria Administração Pública, mostrando que é necessária uma boa gestão pública para manter o crescimento do Estado”, declarou avaliou Fábio Martinez, secretário adjunto.
No mesmo intervalo, a Agropecuária avançou de 6,9% para 8,5% e a Indústria, de 11,7% para 13,3%. Os Serviços recuaram de 36,3% para 27,3%.
Como é feito o cálculo
O resultado é ancorado aos números oficiais do IBGE no intervalo em que eles existem, e as estimativas para 2024, 2025 e 2026 são revisadas a cada nova divulgação do instituto.
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