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O programa Descomplica da Defensoria Pública de Roraima chegou pela primeira vez a uma instituição de ensino indígena no estado. As atividades começaram nesta quarta-feira, 13, na Escola Estadual Indígena Eurico Mandulão, localizada no município de Alto Alegre, a aproximadamente 120 quilômetros da capital Boa Vista. A iniciativa tem como objetivo central combater casos de bullying e violência no ambiente escolar através de ações educativas e preventivas.

A Escola Estadual Indígena Eurico Mandulão atende estudantes da região e agora passa a integrar o circuito de instituições que recebem o programa Descomplica. A implementação nas comunidades indígenas representa uma expansão significativa do projeto, que já atua em outras localidades de Roraima. Alto Alegre, um dos 15 municípios do estado, possui população majoritariamente indígena e fica na região central do território roraimense.

Metodologia do programa.

O Descomplica desenvolve suas atividades com uma metodologia que envolve palestras, dinâmicas de grupo e oficinas interativas. Os encontros são conduzidos por defensores públicos e equipes multidisciplinares da DPE-RR, que abordam temas como respeito às diferenças, convivência harmoniosa e mecanismos de denúncia. O foco está na construção de um ambiente escolar seguro e acolhedor para todos os estudantes.

Os profissionais trabalham com linguagem adaptada à realidade local, considerando aspectos culturais específicos das comunidades indígenas. As atividades buscam promover o diálogo entre alunos, professores e familiares, estabelecendo canais de comunicação eficazes para prevenir situações de conflito. A abordagem do programa valoriza os saberes tradicionais enquanto introduz conceitos contemporâneos sobre direitos humanos e proteção à infância e adolescência.

Além das ações diretas com estudantes, o Descomplica oferece capacitação para educadores e gestores escolares. A formação inclui identificação de sinais de bullying, procedimentos adequados para intervenção e encaminhamento de casos à rede de proteção. A escola recebe material didático específico para continuar o trabalho pedagógico após a passagem da equipe da defensoria.

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Contexto estadual.

Roraima possui características únicas no cenário educacional brasileiro, com expressiva população indígena distribuída em diversas etnias. O estado mantém escolas específicas para comunidades tradicionais, como a Escola Estadual Indígena Eurico Mandulão, que funcionam com calendário e currículo adaptados às realidades locais. A chegada do programa Descomplica a esse contexto representa um marco na extensão de políticas públicas de proteção aos estudantes.

A Defensoria Pública do Estado tem ampliado gradualmente a abrangência do programa desde sua criação. Inicialmente concentrado na capital Boa Vista, o Descomplica já alcançou municípios como Pacaraima, Bonfim e Normandia. A expansão para Alto Alegre segue uma estratégia de interiorização que busca atender regiões com menor acesso a serviços de assistência jurídica e psicossocial.

Dados sobre violência escolar em comunidades indígenas são escassos, mas a implementação do programa nessas localidades permite mapear necessidades específicas. A DPE-RR pretende utilizar as experiências coletadas na Escola Estadual Indígena Eurico Mandulão para ajustar metodologias e replicar ações em outras instituições similares. O objetivo é criar protocolos que considerem tanto a legislação nacional quanto os costumes tradicionais.

O município de Alto Alegre, criado em 1995, tem economia baseada na agricultura e pecuária, com forte presença das etnias Macuxi e Wapichana. A escola que recebe o programa está inserida multicultural, onde questões de bullying podem envolver dimensões étnicas, linguísticas e sociais particulares. A intervenção do Descomplica busca construir pontes entre o sistema educacional formal e os valores comunitários.

A continuidade das atividades na Escola Estadual Indígena Eurico Mandulão está prevista para os próximos meses, com encontros periódicos agendados entre a defensoria e a direção da instituição. A expectativa é que o trabalho resulte em redução de conflitos e melhoria do clima escolar, além de fortalecer a rede de proteção local. A experiência servirá como parâmetro para futuras expansões do programa em outras comunidades indígenas do estado.

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