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O Corpo de Baile do Teatro Municipal de Boa Vista conquistou vaga na 43ª edição do Festival de Dança de Joinville, considerado o maior do mundo. Esta será a quarta participação dos bailarinos roraimenses no evento, que acontece entre 20 de julho e 1º de agosto de 2026 no Centreventos Cau Hansen, em Joinville, Santa Catarina.
Dois grupos da capital roraimense foram selecionados: o Balé Infantil do Teatro Municipal apresenta a coreografia "Abatan", enquanto o Balé Jovem leva "Na Rua". As obras foram desenvolvidas por alunos e professores do Curso de Balé da Prefeitura de Boa Vista, através da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura.
O presidente da FETEC, Dyego Monnzaho, enfatizou que a participação no festival reforça o trabalho de incentivo à formação artística desenvolvido no município.
"Mais uma vez, a Prefeitura de Boa Vista, por meio da FETEC, incentiva os alunos que estão estudando artes nos cursos do Teatro Municipal. Isso é muito importante para a valorização desse aluno que é um cidadão, mas sobretudo pode ser modificado por meio das artes", afirmou.
Dyego Monnzaho também destacou a importância do intercâmbio cultural proporcionado pelo festival.
"Participar de um dos maiores festivais do mundo é muito importante para a formação desse aluno, que pode se tornar um artista renomado no futuro. Esse trabalho de fomento e fortalecimento das artes é o que a Prefeitura de Boa Vista tem feito através de diversas ações", completou.
Inspiração na cultura regional.
A bailarina e professora do Curso de Balé do Teatro Municipal, Aila Gama, afirmou que a seleção representa o reconhecimento da produção artística desenvolvida em Boa Vista.
"É com muita alegria que estaremos novamente nos palcos abertos de Joinville representando a cena artística de Boa Vista. Esse é um trabalho especial, pois contém alguns trechos do nosso último espetáculo autoral: 'Abatan, corpo, terra e lenda'", disse.
Segundo a professora, a coreografia "Abatan" foi criada por ela e pela coreógrafa Duda Azevedo, com inspiração em elementos culturais da região Norte e nas tradições indígenas.
"Decidimos em conjunto abordar temas da nossa regionalidade, cultura e crenças e nos apropriar com orgulho de nossas lendas e origem nortistas", afirmou.
Aila Gama também ressaltou o impacto social da participação no festival para os alunos envolvidos.
"Vamos levar alguns bailarinos pela primeira vez para viver essa experiência. É sempre um prazer ver nossos alunos, que entraram pelo projeto social para fazer aulas regulares de ballet clássico, serem aprovados para o maior festival de danças do mundo. Então, o momento pede preparação, muito ensaio para chegarmos lá e entregarmos o nosso melhor em cada palco que formos apresentar", declarou.
A professora Duda Azevedo, diretora artística do Balé Infantil, também celebrou a conquista. Para ela, mais do que apresentações em palco, o festival oportuniza vivências profundamente enriquecedoras para nossos bailarinos através de cursos, oficinas, visitações técnicas, acesso a espetáculos e visitas a museus e espaços culturais.
"Cada experiência vivida contribui diretamente para uma formação artística mais ampla, sensível e inspiradora. Como coreógrafa, tenho muito orgulho em ver talentos da região Norte alcançando espaços tão importantes e representando nossa cultura, nossa dedicação e nossa potência artística", disse Duda Azevedo.
Detalhes das coreografias selecionadas.
A coreografia "Abatan" do Balé Infantil se inspira em palavra de origem na língua Wapichana. Esta criação autoral nasce do desejo de valorizar e celebrar a cultura regional. Nesta experiência cênica, o corpo dança aquilo que a terra clama e as lendas transmitem, revelando uma corporeidade atravessada por ancestralidade, pertencimento e força simbólica.
A pesquisa de movimento dialoga com os princípios de Martha Graham, a expressividade de José Limón e as investigações contemporâneas de Fábio Alcântara, articulando tensão, fluidez e presença cênica. Com elenco de oito bailarinos, "Abatan" constrói relações coletivas que evocam tradição, memória e continuidade, um convite à escuta das raízes e à potência do corpo como território de cultura.
Já "Na Rua" é uma coreografia de jazz que resgata o espírito de resistência que deu origem ao Jazz Dance nas ruas de Nova Orleans. O conjunto conta com oito bailarinos em cena e tem a proposta de ser uma coreografia dinâmica e articulada.
A obra mergulha nas raízes do gênero, quando o jazz era pulsado nas calçadas, nos cortejos e nos encontros populares como forma de expressão, identidade e luta. "Na Rua" traduz para o palco a energia sincopada, a improvisação e a força coletiva que transformaram o movimento em símbolo de resistência cultural.
Com direção coreográfica de Lucas Sozza, a peça une a técnica do jazz à urgência do corpo que ocupa o espaço público. Os bailarinos transitam entre o swing, o isolamento e o groove característico do estilo, evocando a ancestralidade negra e a potência das manifestações urbanas que moldaram o Jazz Dance.
O Festival de Dança de Joinville reúne anualmente milhares de bailarinos de diversos países em mostras competitivas, palcos abertos e cursos de formação artística. A participação do Corpo de Baile do Teatro Municipal de Boa Vista mantém Roraima no circuito das principais produções artísticas nacionais.
Para os jovens bailarinos roraimenses, a experiência vai além das apresentações no palco. O evento oferece oportunidades de crescimento profissional através de workshops, intercâmbios culturais e contato com coreógrafos e companhias de dança de todo o mundo.
A preparação para o festival já começou na capital roraimense, com ensaios intensivos e ajustes nas coreografias. Os grupos trabalham para representar com excelência a produção artística do estado fronteiriço com Venezuela e Guiana.
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