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O deputado estadual Chico Mozart apresentou um projeto de lei que veta o uso de recursos públicos para artistas e bandas que promovam violência ou discriminação em Roraima. A proposta, que tramita na Assembleia Legislativa do estado, determina que contratos firmados com artistas deverão conter cláusulas expressas proibindo esse tipo de conteúdo. O objetivo é garantir que verbas estaduais e municipais não financiem produções culturais que incitem ódio ou preconceito.

O projeto estabelece que todos os contratos de prestação de serviços artísticos celebrados pelo poder público estadual, prefeituras e autarquias devem incluir a proibição. A medida abrange apresentações musicais, teatrais e qualquer manifestação cultural financiada com dinheiro dos cofres públicos. Caso um artista descumpra a cláusula, poderá ter o contrato rescindido e ficar impedido de celebrar novos acordos com o governo por um período determinado.

Fiscalização e aplicação da lei.

A proposta do deputado Chico Mozart prevê mecanismos de fiscalização para garantir o cumprimento das novas regras. Os órgãos de controle interno das secretarias estaduais e municipais ficariam responsáveis por monitorar os contratos e verificar possíveis violações. Além disso, o projeto estabelece que as cláusulas devem ser explícitas e de fácil compreensão, evitando interpretações ambíguas sobre o que constitui promoção de violência ou discriminação.

O texto define que se consideram conteúdos discriminatórios aqueles que atentem contra direitos fundamentais com base em raça, cor, etnia, religião, origem, gênero, orientação sexual, identidade de gênero ou condição física. Já a promoção de violência inclui apologia a crimes, exaltação de atos criminosos ou incitação a práticas que ponham em risco a integridade física ou moral de pessoas.

Para o autor da proposta, a medida busca equilibrar a liberdade de expressão artística com a responsabilidade social no uso de recursos públicos. Chico Mozart argumenta que o estado não pode financiar produções que contradigam os princípios constitucionais de igualdade e dignidade humana. O projeto vem sendo discutido em um contexto de aumento de debates sobre o papel do poder público no fomento à cultura em Roraima.

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Impacto no cenário cultural estadual.

A eventual aprovação da proposta pode alterar significativamente o cenário cultural de Roraima, estado que possui 15 municípios e uma produção artística diversificada. Boa Vista, a capital, sedia anualmente festivais e eventos culturais que recebem financiamento público, como o Festival de Música e o Carnaval. Artistas locais de diferentes vertentes poderão ser afetados pelas novas regras contratuais.

Secretarias como a de Cultura e Turismo do Governo de Roraima e fundações culturais municipais teriam que adaptar seus processos de contratação. O projeto também atinge editais públicos, que são instrumentos importantes para o fomento à produção artística no estado. Todos os editais futuros precisariam incorporar as cláusulas de proibição à violência e discriminação.

O debate sobre o tema já mobiliza setores da cultura em Roraima. Alguns artistas defendem que a medida pode cercear a liberdade criativa, enquanto outros apoiam a ideia de que recursos públicos devem seguir princípios éticos claros. A discussão ocorre paralelamente a questões sobre a descentralização dos investimentos culturais, que hoje se concentram principalmente na região da capital.

Municípios como Rorainópolis, Caracaraí, Pacaraima e Bonfim, que também desenvolvem atividades culturais com apoio governamental, seriam igualmente impactados. O projeto não faz distinção entre grandes centros e interior, aplicando-se a todo o território estadual. A tramitação na Assembleia Legislativa deve incluir audiências públicas para ouvir diferentes segmentos da sociedade roraimense.

O deputado Chico Mozart tem defendido a proposta como uma forma de modernizar a gestão cultural no estado. Segundo ele, a iniciativa acompanha tendências de transparência e responsabilidade no uso do dinheiro público que já são realidade em outras áreas da administração. O projeto aguarda designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da ALE-RR antes de seguir para votação em plenário.

Enquanto isso, artistas, produtores culturais e gestores públicos de Roraima acompanham os desdobramentos da proposta. O tema deve ganhar mais destaque à medida que avançar na tramitação legislativa, especialmente considerando a interface entre cultura, direitos humanos e administração pública no estado fronteiriço com Venezuela e Guiana.

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