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Servidores do Tribunal de Justiça de Roraima enfrentam uma série de problemas no plano de saúde corporativo oferecido pela Geap. A situação levou o Geap Sindicato a convocar uma reunião extraordinária para este sábado, com o objetivo de discutir as dificuldades que afetam magistrados, servidores e seus dependentes em todo o estado.

A mobilização surge após meses de reclamações sobre a qualidade do atendimento médico prestado pela operadora. Segundo relatos, os problemas incluem demora excessiva para marcação de consultas, dificuldades no agendamento de exames especializados e falta de cobertura para procedimentos considerados essenciais pela categoria.

O plano de saúde em questão é contratado pelo Tribunal de Justiça de Roraima para atender seus servidores ativos e inativos, além de familiares. Com sede em Boa Vista, o TJRR possui jurisdição sobre os 15 municípios do estado, que faz fronteira com Venezuela e Guiana, o que amplia a complexidade da rede de atendimento necessária.

Reunião do sindicato.

A reunião marcada para sábado será conduzida pelo Geap Sindicato, entidade representativa dos servidores. O encontro tem como pauta principal a elaboração de um documento que detalhe todos os problemas identificados no funcionamento do plano de saúde.

Participarão do debate representantes de diversas categorias do judiciário roraimense, incluindo magistrados de comarcas do interior como Rorainópolis, Caracaraí e Pacaraima. A expectativa é que o levantamento sirva de base para negociações diretas com a direção do TJRR e com a própria Geap.

Entre as questões a serem abordadas está a falta de profissionais especializados na rede credenciada em Roraima. Muitos servidores precisam buscar atendimento em outros estados, gerando custos adicionais com deslocamento e hospedagem que nem sempre são cobertos pelo plano.

Outro ponto crítico diz respeito à burocracia para autorização de procedimentos. Relatos indicam que exames de média e alta complexidade enfrentam entraves administrativos que retardam diagnósticos e tratamentos, colocando em risco a saúde dos beneficiários.

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O Geap Sindicato também pretende discutir a atualização da tabela de valores praticada pela operadora. Há queixas sobre reembolsos considerados insuficientes para cobrir despesas médicas reais, especialmente em casos de emergência ou tratamentos prolongados.

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Impacto no interior.

Os problemas são ainda mais graves para servidores lotados em comarcas do interior de Roraima. Municípios como Bonfim, Mucajaí e Cantá possuem rede de saúde limitada, obrigando os beneficiários a se deslocarem até Boa Vista para a maioria dos atendimentos.

Em localidades como Alto Alegre, Iracema e Amajari, a distância da capital chega a centenas de quilômetros, transformando uma simples consulta em uma jornada de dias. A situação se repete em São Luiz, São João da Baliza e Caroebi, onde a infraestrutura médica é ainda mais precária.

Normandia, Uiramutã e Bonfim, na fronteira com a Venezuela, enfrentam desafios adicionais relacionados à disponibilidade de medicamentos e equipamentos médicos. Servidores dessas regiões relatam dificuldades para acessar até mesmo serviços básicos de saúde através do plano.

O Tribunal de Justiça de Roraima, responsável pela contratação da Geap, ainda não se manifestou oficialmente sobre as reclamações. A expectativa é que após a reunião do sindicato, seja agendada uma audiência com a presidência do TJRR para apresentar as demandas da categoria.

A Geap, por sua vez, mantém contrato com diversos órgãos públicos em todo o país, incluindo o judiciário de vários estados. Em Roraima, a operadora atende exclusivamente os servidores do TJRR através do plano corporativo, que envolve milhares de beneficiários em todo o território estadual.

A reunião deste sábado representa a primeira mobilização organizada da categoria contra os problemas no plano de saúde. O resultado do encontro poderá definir o rumo das negociações, que podem incluir desde ajustes no contrato vigente até a busca por uma nova operadora para o próximo período de contratação.

Enquanto isso, servidores continuam enfrentando as dificuldades no dia a dia. Muitos recorrem a planos de saúde particulares para complementar a cobertura, gerando despesas extras não previstas no orçamento familiar. Outros adiam consultas e exames por conta dos entraves burocráticos, arriscando o agravamento de condições de saúde preexistentes.

A situação preocupa especialmente servidores mais antigos e aposentados, que dependem integralmente do plano para seus cuidados médicos. Com idade avançada e necessidades de saúde mais complexas, esse grupo é particularmente vulnerável às falhas no atendimento.

O Geap Sindicato espera que a mobilização sirva para pressionar tanto o TJRR quanto a operadora a melhorarem a qualidade dos serviços. A entidade defende que a saúde dos servidores é um direito conquistado e deve ser preservada com atendimento digno e eficiente.

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