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Aos 61 anos, Eronilda Coutrin da Silva, produtora rural de Caracaraí no Sul de Roraima, mantém a produção de queijos, manteiga de garrafa, iogurte e requeijão cremoso. Ela também atua no cultivo de bananas e na criação de gado na propriedade da família, em alusão ao Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, celebrado nesta segunda-feira (21/9). O trabalho com derivados do leite começou após os filhos crescerem e se expandiu com novas receitas e capacitações.

Eronilda, que tem deficiência auditiva desde jovem, utiliza aparelho auditivo desde os 23 anos. Ela relata que a falta de audição causava desconforto e mal-entendidos, mas o uso do dispositivo trouxe mais autonomia e facilitou a comunicação no dia a dia.

“Depois que comecei a usar o aparelho, mudou muita coisa para mim. Antes, as pessoas falavam comigo e eu não conseguia ouvir. Às vezes achavam que eu não queria responder, mas não era isso. Eu simplesmente não escutava. Hoje eu consigo ouvir, conversar e responder as pessoas. Foi uma mudança muito grande na minha vida”, contou.

A produtora rural, casada há 46 anos com Antônio Cipriano Leal, iniciou a criação de gado com poucas cabeças, aumentando a atividade gradualmente. A família, com forte ligação com o meio rural, viu Eronilda assumir um papel mais ativo nas atividades da propriedade após os quatro filhos crescerem.

A produção de queijos começou com a receita de manteiga de garrafa, aprendida com uma parente. A primeira leva rendeu nove quilos, vendidos na feira.

“Eu comecei fazendo queijo de manteiga. No começo fazia uns nove quilos e levava para vender na feira. Depois fui aprendendo mais e fiz cursos para melhorar a produção”, relatou.

Novos produtos e planos

A experiência com a manteiga de garrafa impulsionou Eronilda a diversificar. Ela passou a produzir queijo coalho e, posteriormente, iogurte e requeijão cremoso. O conhecimento foi adquirido com a prática e cursos.

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“Depois comecei a fazer queijo coalho e fui aprendendo outras coisas. Hoje faço também manteiga de garrafa, iogurte e requeijão cremoso. A gente vai aprendendo e melhorando a produção”, explicou.

O leite para os derivados vem do rebanho familiar, que já chegou a produzir 100 litros diários. Parte é para consumo próprio e dos trabalhadores, e o restante é transformado por Eronilda em produtos vendidos sob encomenda para amigos e conhecidos.

“Eu faço para a família, para quem trabalha aqui e também quando alguém conhecido pede. É uma produção que faz parte da nossa rotina”, disse.

Além dos laticínios, a família cultiva bananas, comercializadas em Caracaraí e enviadas para Boa Vista mediante solicitação da cooperativa. Os filhos também participam: Léo atua na fruticultura e está em missão empresarial em São Paulo, enquanto a filha também trabalha com fruticultura e o marido com gado de corte.

O Sebrae Roraima apoiará a reorganização da cozinha de Eronilda para melhorar as condições de fabricação. Ela planeja contratar um ajudante para as tarefas mais pesadas e ampliar a produção.

“Eu quero continuar trabalhando, melhorar cada vez mais a produção e conseguir fazer tudo do jeito que eu tenho vontade. Quero organizar a cozinha, voltar a produzir mais e ter alguém para me ajudar, porque sozinha fica pesado. A gente vai aprendendo e melhorando com o tempo, e eu ainda tenho muita vontade de continuar”, concluiu.

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