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Uma história de superação e aprendizado emociona a comunidade educacional de Roraima. Diomar da Silva Rodrigues, aos 74 anos, retomou os estudos na Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia, em Boa Vista. Natural do interior do Maranhão, ela chegou ao estado aos 21 anos em busca de novas oportunidades e agora realiza um sonho adiado por décadas.

Viúva e mãe dedicada, Diomar criou seus filhos trabalhando como vendedora durante 48 anos. A rotina intensa e as responsabilidades familiares acabaram adiando seu processo de alfabetização, mas o desejo de aprender nunca desapareceu. Hoje, entre suas maiores conquistas está a capacidade de escrever o próprio nome, marco que considera especial e transformador.

"Já consigo escrever o meu próprio nome, e isso é muito especial para mim", afirma com orgulho. "Hoje em dia, mais do que nunca, o estudo é muito importante. Você não consegue nada sem estudo." Sua determinação vem desde sempre, ela brinca ao descrever sua personalidade forte: "Sempre fui muito arretada. Passei 48 anos vendendo. Tudo que você colocar na minha mão eu vendo."

Incentivo familiar na educação

O apoio decisivo para o retorno aos estudos veio da filha, Kátia Regina Rodrigues, que atua como apoio pedagógico na mesma escola durante o período noturno. Ao começar a trabalhar na unidade, Kátia identificou na Educação de Jovens e Adultos a oportunidade perfeita para ajudar a mãe a conquistar um antigo objetivo.

"Quando eu passei para o turno da noite, convidei minha mãe para vir comigo", conta Kátia. "Ela aceitou de imediato, mesmo tendo uma rotina cheia de atividades durante o dia." A professora relembra que a mãe sempre demonstrou insatisfação por não ser alfabetizada: "Ela já tinha me confessado que uma das únicas tristezas da vida dela era não saber ler."

Para Kátia, acompanhar esse processo representa uma experiência profundamente emocionante.

"Fazer parte desse processo é muito emocionante. Para mim, ela é pura inspiração, uma mulher cheia de coragem e determinação", destaca.

A relação entre as duas ganhou nova dimensão quando mãe e filha dividiram a sala de aula, Kátia chegou a lecionar para Diomar na EJA.

"Foi um enorme prazer ver minha filha formada", relembra Diomar sobre essa experiência única. "Ser aluna dela foi muito emocionante. Dentro da sala, eu fazia questão de chamá-la de professora." Kátia complementa:

"Dar aula para a EJA já é algo especial, mas ensinar alguém que me ensinou tudo na vida é uma felicidade ainda maior."

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Transformação através do aprendizado

A trajetória de Diomar também impacta positivamente outros membros da comunidade escolar. Eliezina Freitas, professora da Educação de Jovens e Adultos, explica que muitos alunos chegam com insegurança e crenças limitantes sobre sua capacidade de aprender.

"Muitos adultos e idosos chegam com medo, achando que não vão conseguir ler ou escrever", observa Eliezina.

"Quando começam a perceber que são capazes, o brilho nos olhos muda completamente. Isso também motiva a gente como professora."

Segundo ela, pequenos avanços fazem diferença significativa na autoestima dos estudantes.

A educadora detalha como conquistas aparentemente simples podem revolucionar a vida dos alunos:

"Quando eles conseguem ler uma placa, reconhecer palavras no supermercado ou escrever o próprio nome, passam a se sentir mais confiantes e motivados a continuar aprendendo."

Esse processo gradual constrói não apenas habilidades acadêmicas, mas também renovada confiança pessoal.

Além dos estudos formais, Diomar mantém uma rotina intensa de atividades que demonstram sua energia vital. Ela participa do projeto Cabelos de Prata, frequenta aulas de dança como carimbó e oficinas de pintura e confecção de bonecos. No final do ano passado, conquistou sua primeira faixa na capoeira, mais uma prova de que idade não representa limite para novos aprendizados.

Com filhos, netos, bisnetos e até tataraneto em sua extensa família, Diomar garante que ainda tem muitos sonhos pela frente. O aprendizado continua sendo prioridade em sua vida: "Enquanto eu tiver vida, quero continuar aprendendo. A gente nunca sabe tudo", afirma com convicção.

A Prefeitura de Boa Vista mantém matrículas abertas durante todo o ano para a Educação de Jovens e Adultos através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura. A modalidade é destinada a pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram o Ensino Fundamental na idade regular e desejam retomar os estudos.

Atualmente, a EJA é ofertada em escolas das zonas urbana, rural e indígena da capital roraimense, garantindo oportunidade de acesso à educação em diferentes regiões do município. As matrículas devem ser realizadas diretamente nas unidades escolares que ofertam a modalidade nos horários estabelecidos: das 8h às 12h, das 14h às 18h e das 18h às 22h30.

Entre os documentos necessários para inscrição estão histórico escolar quando disponível, RG ou certidão de nascimento, CPF, comprovante de residência atualizado em Boa Vista ou região metropolitana, cartão do SUS válido, cartão de vacinação atualizado conforme calendário nacional e duas fotografias 3×4 recentes.

As escolas municipais que oferecem Educação de Jovens e Adultos incluem Francisco de Souza Bríglia no bairro Pricumã; Francisco Cássio de Moraes na União; Glemíria Gonzaga Andrade na Cidade Satélite; Newton Tavares no Calungá; Raimundo Eloy Gomes no Senador Hélio Campos; José Davi Feitosa no Murupu; e Indígena Martins Pereira na Comunidade do Morcego.

Interessados devem procurar a unidade mais próxima de sua residência para obter informações atualizadas sobre disponibilidade de vagas e procedimentos específicos para matrícula. A iniciativa representa parte das políticas públicas educacionais implementadas pela gestão municipal para reduzir índices de analfabetismo na capital roraimense.

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