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O senador Dr. Hiran, representante do PP-RR no Congresso Nacional, apresentou um projeto de lei para suspender a obrigatoriedade do cadastro digital de hóspedes em estabelecimentos de hospedagem. A medida do Ministério do Turismo, estabelecida pela Portaria MTur 41/2025, exige que hotéis, pousadas e similares registrem informações dos clientes por meio da plataforma Gov.br. O sistema digital substitui a versão física da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes, conhecida como FNRH, e centraliza dados pessoais no governo federal.
Para o parlamentar roraimense, a mudança vai além de uma simples modernização administrativa. Dr. Hiran avalia que a portaria amplia de forma preocupante a capacidade do Estado de monitorar deslocamentos, hospedagens e a circulação de cidadãos brasileiros. A exigência de autenticação pelo Gov.br e a integração direta com sistemas federais representam, em sua visão, uma expansão significativa na coleta de informações pessoais sensíveis.
Questionamento sobre limites legais.
O senador sustenta que a legislação atual autoriza apenas o envio de dados estatísticos e informações agregadas ao Ministério do Turismo, sem necessidade de identificação detalhada de cada hóspede. Na prática, ele questiona se a digitalização do sistema está sendo utilizada não apenas para organização do setor, mas para ampliar mecanismos de vigilância e controle de dados pessoais. A possibilidade de rastreamento individualizado sob justificativas burocráticas preocupa o parlamentar.
Dr. Hiran argumenta ainda que a portaria representa uma possível extrapolação do poder regulamentar do Executivo. Segundo sua análise, a medida cria obrigações não previstas diretamente em lei, ultrapassando os limites estabelecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro. O projeto apresentado pelo senador busca restaurar o equilíbrio entre a necessidade de organização do setor turístico e a proteção da privacidade dos cidadãos.
O debate ocorre em um momento de crescente digitalização de serviços públicos no Brasil, com o Gov.br se consolidando como plataforma central de acesso a diversos órgãos governamentais. Para estabelecimentos de hospedagem em Roraima, estado fronteiriço com Venezuela e Guiana que recebe fluxo significativo de turistas e viajantes, a implementação do sistema traria mudanças operacionais concretas. Hotéis em Boa Vista, pousadas em Pacaraima e outras unidades nos 15 municípios roraimenses precisariam adaptar seus processos de check-in.
A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes existe há décadas no formato físico, com o objetivo de fornecer dados para políticas públicas de turismo e segurança. A digitalização completa do processo, no entanto, introduz novas questões sobre tratamento de dados, segurança da informação e limites da atuação estatal. O projeto de Dr. Hiran coloca essas discussões no centro do debate legislativo, com potencial impacto direto no setor hoteleiro nacional.
Implicações para o turismo regional.
Roraima possui características únicas no cenário turístico brasileiro, com destinos como o Monte Roraima, atrativos indígenas e o fluxo constante na fronteira com a Venezuela. A obrigatoriedade do cadastro digital poderia afetar a experiência de visitantes nacionais e internacionais que buscam a região. Empresários do setor hoteleiro no estado acompanham com atenção o desdobramento da discussão, preocupados com possíveis custos de adaptação e impactos na relação com clientes.
A tramitação do projeto no Congresso Nacional será acompanhada de perto por representantes do turismo em Roraima, que historicamente defendem políticas que considerem as particularidades regionais. O estado, com sua capital Boa Vista, busca equilibrar modernização administrativa com a preservação de um ambiente acolhedor para turistas. A discussão sobre o cadastro digital de hóspedes reflete tensões mais amplas entre eficiência estatal, proteção de dados e liberdades individuais no contexto brasileiro.
Enquanto o projeto não é votado, a Portaria MTur 41/2025 permanece em vigor, estabelecendo as regras para o registro digital obrigatório. Estabelecimentos de hospedagem em todo o país, incluindo os localizados em Roraima, devem se preparar para a implementação do sistema caso a medida não seja suspensa. O debate iniciado por Dr. Hiran promete gerar discussões aprofundadas sobre privacidade, segurança e regulação do setor turístico nos próximos meses.
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