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A Polícia Civil de Roraima (PCRR) encontrou três situações de violência contra crianças e adolescentes durante uma ação educativa realizada nesta segunda-feira, 11, no Colégio Estadual Militarizado Ovídio Dias de Souza, localizado no município de Amajari, a 230 quilômetros de Boa Vista. A iniciativa fez parte da Operação Caminhos Seguros, desenvolvida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que reuniu aproximadamente 400 estudantes nos turnos da manhã e da tarde. As ocorrências identificadas foram imediatamente encaminhadas para a rede de proteção especializada, demonstrando o caráter preventivo da presença policial em instituições de ensino do interior do estado.
O delegado titular da DPCA, Matheus Rezende, explicou que a atuação da Polícia Civil em escolas, especialmente nas regiões mais distantes da capital, constitui uma estratégia fundamental para interromper ciclos de violência que frequentemente permanecem ocultos.
"A operação vai além da repressão, nossa missão também é informar, conscientizar e fortalecer redes de proteção. Levar essa ação ao município de Amajari é fundamental para assegurar que crianças e adolescentes de regiões mais distantes tenham acesso à informação, proteção e canais seguros de denúncia", afirmou Rezende.
O município de Amajari, situado na região norte de Roraima, faz fronteira com a Venezuela e integra o conjunto de 15 municípios do estado.
Palestras e identificação de casos.
A programação incluiu palestras e orientações direcionadas a estudantes, professores e profissionais da educação, abordando a prevenção e o enfrentamento de violências física, psicológica, sexual e da negligência. Durante as atividades, a equipe da DPCA conseguiu detectar três situações concretas de violência, evidenciando o impacto direto da aproximação institucional com a comunidade escolar.
"Essas palestras despertam atenção para sinais que muitas vezes passam despercebidos. A confiança gerada pela escuta ativa possibilitou identificar os casos, que já receberam o devido encaminhamento à rede de proteção para acompanhamento especializado e adoção das medidas necessárias", detalhou o delegado Matheus Rezende.
Segundo ele, a oferta de informação qualificada cria instrumentos reais de defesa para crianças e adolescentes. "A prevenção permite interromper situações de abuso antes que se agravem", completou. A gestão da unidade escolar destacou a importância da parceria contínua com a Polícia Civil. Maria Natividade, gestora do CEM Ovídio Dias, afirmou que a ação ocorre anualmente na escola e tem papel crucial na conscientização dos alunos.
"Todos os anos recebemos essa ação na escola, e é extremamente importante porque nossos alunos passam a compreender que a violência muitas vezes está próxima, inclusive dentro de casa. Essas orientações podem encorajar nossos próprios alunos a romper o silêncio. Agradecemos à Polícia Civil por essa parceria de grande valor para nossa comunidade escolar", disse Natividade.
A Operação Caminhos Seguros representa uma iniciativa nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, sendo executada em Roraima pela Secretaria de Segurança Pública. O programa combina ações educativas, preventivas e repressivas, com o objetivo de consolidar uma atuação firme no combate à violência contra crianças e adolescentes.
"Essa é uma ação nacional, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que é coordenada em Roraima pela Secretaria de Segurança Pública, que consolida uma atuação firme no combate à violência contra crianças e adolescentes, garantindo que a proteção à infância alcance, de forma efetiva, todas as regiões de Roraima", reforçou o delegado da DPCA.
Abordagem preventiva no interior.
A presença da Polícia Civil em escolas do interior de Roraima busca superar barreiras geográficas e garantir que informações sobre proteção e canais de denúncia cheguem a comunidades distantes. Amajari, com população estimada em torno de 12 mil habitantes, enfrenta desafios logísticos comuns a municípios fronteiriços do estado. A ação no CEM Ovídio Dias de Souza exemplifica a expansão das políticas de segurança pública para além do eixo da capital Boa Vista, atendendo a uma demanda histórica por maior presença institucional nas regiões interioranas.
Os casos identificados durante a atividade receberam acompanhamento imediato da rede de proteção, que inclui órgãos como o Conselho Tutelar, serviços de saúde mental e assistência social. Esse fluxo de encaminhamento rápido é essencial para interromper situações de violência e oferecer suporte adequado às vítimas. A DPCA mantém um canal permanente para denúncias, reforçando a importância da participação comunitária na identificação e no combate a violações de direitos de crianças e adolescentes.
A estratégia de atuação em escolas parte do reconhecimento de que o ambiente educacional pode ser tanto espaço de vulnerabilidade quanto de proteção. Professores e funcionários escolares frequentemente são os primeiros a perceber mudanças de comportamento que indicam situações de violência doméstica ou abuso. Capacitar esses profissionais e abrir canais de comunicação direta com a polícia especializada amplia a eficácia das políticas de proteção. No CEM Ovídio Dias, a parceria anual com a Polícia Civil já estabeleceu uma relação de confiança que facilita a identificação precoce de problemas.
A Operação Caminhos Seguros segue em andamento em Roraima, com previsão de novas ações em outras escolas estaduais e municipais. O cronograma inclui visitas a unidades de ensino em diferentes regiões, com foco especial em localidades com menor acesso a serviços especializados. A meta é garantir que informações sobre direitos, mecanismos de denúncia e redes de apoio cheguem a todas as comunidades escolares do estado, independentemente de sua localização geográfica. A Secretaria de Segurança Pública planeja expandir a iniciativa para mais municípios ao longo do ano letivo.
A experiência em Amajari demonstra que ações presenciais em escolas produzem resultados concretos na identificação de casos que poderiam permanecer ocultos. A combinação de palestras educativas com escuta qualificada permite que estudantes se sintam seguros para relatar situações de violência, muitas vezes vivenciadas no âmbito familiar. A Polícia Civil de Roraima reforça que o sigilo e a proteção das vítimas são prioridades absolutas durante todo o processo, desde a identificação inicial até o acompanhamento pela rede especializada. A continuidade dessas iniciativas representa um investimento na construção de ambientes escolares mais seguros e na ruptura de ciclos intergeracionais de violência.
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