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Profissionais de saúde de todos os 15 municípios de Roraima participam, desde esta segunda-feira (8/6), de um treinamento focado na vigilância de doenças transmitidas por animais silvestres. A capacitação, promovida pela Secretaria de Saúde (Sesau) em parceria com o Ministério da Saúde, visa aprimorar a identificação precoce de vírus que podem passar de animais para humanos.
O curso aborda o monitoramento de enfermidades como febre amarela, febre do Nilo Ocidental, mayaro e oropouche. O objetivo é preparar as equipes para reconhecer os primeiros sinais da circulação viral em animais e, com isso, fortalecer a rede de vigilância estadual e a capacidade de resposta a possíveis surtos.
Fortalecimento da vigilância
Segundo Joel Lima, técnico do Núcleo de Controle da Febre Amarela e Dengue da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS), Roraima é o primeiro estado a receber este treinamento específico desenvolvido pelo Ministério da Saúde. Ele destacou a importância de formar multiplicadores para expandir a vigilância sobre animais silvestres, que frequentemente manifestam os primeiros sinais de doenças.
“Essa capacitação vem justamente para formar multiplicadores no estado para que a gente consiga ampliar essa vigilância dos animais silvestres, que é o primeiro sinal. Quando começa a morrer ave, primata não humano ou outros animais, isso pode indicar a circulação de alguma doença. Geralmente, os animais são acometidos antes dos seres humanos. Por isso, precisamos fortalecer essa vigilância para evitar adoecimentos e óbitos”, afirmou.
Os participantes foram instruídos sobre o uso do aplicativo SISS-Geo (Sistema de Informação em Saúde Silvestre). A ferramenta permite o registro de ocorrências de animais silvestres doentes ou mortos, mesmo em locais sem conexão com a internet. As informações, que incluem a localização geográfica, são sincronizadas posteriormente com os sistemas de vigilância, auxiliando no monitoramento de áreas de risco.
Joel Lima explicou que o programa possibilita que qualquer pessoa registre a ocorrência, bastando tirar uma foto do animal.
“Com esse programa, qualquer pessoa pode registrar a ocorrência. Basta tirar uma foto do animal. Não é necessário ter internet no momento do registro. Depois, essas informações são encaminhadas ao Ministério da Saúde, ao Estado e ao município, juntamente com as coordenadas geográficas do local”, detalhou.
Samuel Garça, diretor do Centro de Controle de Zoonoses de Boa Vista, ressaltou que a capacitação prepara os municípios para identificar riscos e adotar medidas preventivas.
“Nós ainda não temos notificações relacionadas a essas doenças, mas já estamos nos qualificando para permanecer em alerta e repassar esse conhecimento a outros profissionais da saúde e da vigilância. É importante manter esse monitoramento para evitar a ocorrência de doenças zoonóticas tanto nos animais quanto na população”, ressaltou.
A Sesau orienta a população a não tocar ou manipular animais silvestres doentes ou mortos. Ao encontrar um animal nessas condições, a recomendação é comunicar imediatamente uma unidade de saúde, agente de endemias ou equipe de vigilância do município.
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