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Pacientes que aguardavam por exames cardiológicos em Roraima começaram a receber atendimento mais rápido após uma intensificação na realização de ecocardiogramas pelo sistema público de saúde. A Secretaria de Estado da Saúde registrou queda de aproximadamente 30% no tempo médio de espera desde o início do ano, com a ampliação da oferta de procedimentos especializados em Boa Vista e no interior. O aumento chega a 40% na quantidade de exames realizados no primeiro trimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A medida atende principalmente casos regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo pacientes de municípios como Rorainópolis, Caracaraí, Pacaraima e Bonfim que precisam se deslocar para a capital. Segundo dados da pasta, mais de mil ecocardiogramas foram realizados nos últimos três meses, número que supera a média histórica para o período. A redução no tempo de fila beneficia desde crianças com suspeita de cardiopatias congênitas até adultos com doenças cardíacas crônicas.
Expansão da capacidade diagnóstica
A estratégia envolveu a otimização dos horários de funcionamento dos equipamentos e a realocação de profissionais especializados. Duas novas máquinas de ecocardiografia foram instaladas em unidades de referência, e equipes técnicas receberam capacitação para aumentar a produtividade sem comprometer a qualidade dos laudos. O governo estadual também ampliou o número de vagas para cardiologistas no quadro de servidores, contratando médicos com formação específica na área.
"Conseguimos reduzir significativamente a espera por um diagnóstico que é crucial para o tratamento adequado de doenças cardíacas", afirmou o secretário estadual de Saúde.
"Muitos pacientes vinham aguardando meses por um exame que hoje pode ser agendado em semanas. Isso representa ganho direto na qualidade de vida e na prevenção de complicações"
A meta é manter o ritmo de intensificação até o final do ano, com previsão de atingir cinco mil ecocardiogramas realizados em 2024.
Para os municípios do interior, a secretaria implementou um sistema de telemedicina que permite a transmissão de imagens em tempo real para análise em Boa Vista. Profissionais de saúde em Caracaraí, Mucajaí e Cantá já podem realizar os exames localmente e enviar os dados para avaliação especializada, eliminando a necessidade de deslocamento dos pacientes. A tecnologia também é usada em casos de urgência, como suspeitas de infarto ou embolia pulmonar.
Impacto no atendimento do SUS
A redução na fila de espera por ecocardiogramas tem efeito cascata em outras especialidades médicas. Com diagnósticos mais ágeis, cardiologistas conseguem definir tratamentos mais rapidamente, liberando vagas para novos pacientes. A medida também alivia a pressão sobre serviços de emergência, onde muitos casos cardíacos terminavam por falta de acompanhamento adequado. Dados do Hospital Geral de Roraima mostram queda de 15% nas internações por complicações cardíacas evitáveis no primeiro trimestre.
"Antes, um paciente com suspeita de problema valvar podia esperar seis meses por um ecocardiograma. Nesse período, a doença poderia progredir para um estágio mais grave", explicou uma cardiologista do serviço público.
"Agora, com o exame em até 60 dias, conseguimos intervir antes que ocorram danos irreversíveis ao coração"
. A especialista destacou que o benefício é ainda maior para populações vulneráveis, como indígenas e moradores de áreas rurais distantes.
O plano de intensificação inclui ainda a realização de mutirões em municípios com maior demanda reprimida. Equipes móveis já visitaram Alto Alegre, Iracema e Amajari, realizando mais de 200 exames em comunidades que tinham dificuldade de acesso aos serviços da capital. A expectativa é estender a ação para São Luiz, São João da Baliza e Caroebi ainda no segundo semestre. Cada mutirão conta com cardiologistas, técnicos em ecocardiografia e equipamentos portáteis de última geração.
O investimento na área cardiológica faz parte de um programa mais amplo de modernização da saúde pública em Roraima. Além dos ecocardiogramas, o governo estadual pretende ampliar a oferta de outros exames especializados, como cateterismo e Holter, com a construção de um novo centro cardiológico em Boa Vista. A obra, orçada em R$ 8 milhões, deve começar ainda este ano e atenderá pacientes de toda a região Norte.
Para manter o ritmo de redução das filas, a secretaria criou um sistema de monitoramento online que permite aos gestores acompanhar em tempo real a demanda por exames em cada município. A ferramenta ajuda a identificar gargalos e direcionar recursos para onde são mais necessários. "Não adianta apenas aumentar a oferta se não houver gestão eficiente da demanda"
, completou o secretário. "Estamos trabalhando nas duas frentes para garantir acesso equitativo a todos os roraimenses"
.
A experiência de Roraima com a intensificação de ecocardiogramas já desperta interesse de outros estados da Amazônia Legal, que enfrentam desafios similares de acesso a serviços cardiológicos especializados. Técnicos do Ministério da Saúde visitaram as instalações em Boa Vista no mês passado para conhecer o modelo de gestão que permitiu a redução nas filas de espera. O próximo passo será a implantação de um programa de residência médica em cardiologia no estado, formando profissionais que possam atuar tanto na capital quanto no interior.
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