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O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Roraima desenvolve uma estratégia abrangente para conectar alunos da rede estadual ao universo profissional. A iniciativa parte do diagnóstico de que muitos jovens concluem o ensino médio sem perspectiva clara sobre carreiras ou possibilidades de empreender. Com ações estruturadas em oficinas práticas, desafios criativos e jornadas acadêmicas, o Sebrae busca despertar o interesse por áreas como inovação, tecnologia e gestão de negócios.

O programa atinge os 15 municípios roraimenses, com especial atenção para Boa Vista, capital que concentra a maior parte das instituições de ensino. As atividades são adaptadas conforme a realidade de cada localidade, considerando características econômicas regionais. Em Rorainópolis, por exemplo, o foco pode incluir agronegócio e processamento de alimentos. Já em Pacaraima, município fronteiriço com a Venezuela, as discussões abordam comércio binacional e serviços logísticos.

Um dos pilares da metodologia é a realização de oficinas mão na massa, onde estudantes aprendem conceitos básicos de modelagem de negócios. Eles exercitam a identificação de problemas reais em suas comunidades e propõem soluções viáveis economicamente. Os facilitadores do Sebrae orientam sobre validação de ideias, cálculo de custos e definição de público-alvo, usando linguagem acessível para adolescentes.

Jornadas acadêmicas e desafios práticos

As jornadas acadêmicas funcionam como imersões de um ou dois dias em temas específicos. Em edição recente realizada no Instituto Federal de Roraima em Boa Vista, cerca de 120 alunos participaram de palestras sobre inteligência artificial aplicada a pequenos empreendimentos. Eles também tiveram contato com cases de sucesso de ex-estudantes que hoje comandam empresas locais nas áreas de software, confecção e alimentação.

Os desafios representam outra frente importante. Divididos em equipes, os jovens recebem problemas reais apresentados por empresas parceiras do Sebrae-RR. Eles precisam desenvolver protótipos ou planos de ação dentro de prazos curtos, simulando a dinâmica do mercado. A competição saudável estimula trabalho colaborativo, criatividade sob pressão e capacidade de apresentação pública das propostas.

A tecnologia aparece como elemento transversal em todas as atividades. Os participantes aprendem sobre ferramentas digitais gratuitas para gestão financeira, design gráfico simplificado e comunicação online. Em municípios como Caracaraí e Bonfim, onde o acesso à internet ainda enfrenta limitações, o Sebrae adapta os conteúdos para funcionar offline ou com baixa conectividade.

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Para muitos adolescentes de comunidades distantes como Uiramutã ou Normandia, essas ações representam o primeiro contato organizado com conceitos empresariais. O objetivo não é necessariamente formar empreendedores imediatos, mas ampliar o repertório profissional desses jovens. Eles passam a enxergar possibilidades além das ocupações tradicionais de suas regiões.

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Parcerias com escolas e secretarias estaduais

A implementação do programa depende de parcerias firmadas com a Secretaria Estadual de Educação e Cultura de Roraima. As equipes do Sebrae atuam dentro das escolas públicas durante horários regulares ou em períodos complementares. Diretores e coordenadores pedagógicos ajudam a identificar turmas com perfil mais aderente às temáticas.

Em algumas unidades, como a Escola Estadual Tancredo Neves em Boa Vista, as ações já geraram projetos concretos desenvolvidos por alunos. Um grupo criou um aplicativo para conectar produtores agrícolas familiares de Mucajaí a consumidores da capital. Outra turma da Escola Maria das Neves Castro, em Alto Alegre, estruturou uma proposta de turismo comunitário envolvendo cachoeiras da região.

O Sebrae-RR mantém ainda diálogo constante com universidades locais como a Universidade Federal de Roraima e a Universidade Estadual de Roraima. A ideia é criar pontes entre o ensino médio e o superior, mostrando caminhos possíveis após a conclusão dos estudos básicos. Universitários voluntários atuam como mentores nos desafios práticos, compartilhando suas experiências recentes na transição escola-universidade.

A avaliação dos resultados acontece através de pesquisas aplicadas antes e depois das intervenções. Os dados preliminares indicam aumento no interesse por cursos superiores nas áreas tecnológicas entre participantes do programa. Também se observa crescimento no número de jovens que consideram abrir próprio negócio como opção profissional viável.

As perspectivas para os próximos meses incluem expansão para mais escolas no interior do estado, especialmente nos municípios de São Luiz do Anauá e São João da Baliza. O Sebrae planeja ainda lançar uma plataforma digital com conteúdos on demand para estudantes que não conseguem participar presencialmente das atividades.

A iniciativa se alinha aos esforços mais amplos do governo estadual para diversificar a economia roraimense além dos setores tradicionais. Ao estimular pensamento inovador desde cedo, pretende-se formar uma geração mais preparada para os desafios do mercado futuro na fronteira norte do Brasil.

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