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Aos 74 anos, dona Diomar decidiu voltar para a sala de aula em Boa Vista, capital de Roraima, estado que tem 15 municípios e faz fronteira com Venezuela e Guiana. Ela é aluna da Educação de Jovens e Adultos, programa conhecido como EJA, que oferece oportunidade de conclusão dos estudos básicos para quem não pôde frequentar a escola na idade regular. A história emocionante ganhou destaque ao mostrar como o apoio familiar pode transformar vidas mesmo em fases mais avançadas da existência.

A decisão de retomar os cadernos veio com o incentivo constante da filha, que acompanha a mãe nessa nova jornada educacional. O exemplo de dona Diomar serve como inspiração para outras pessoas que pensam ter perdido o momento ideal de estudar. Em Roraima, o programa EJA está presente em várias unidades de ensino da rede municipal e estadual, atendendo centenas de alunos que buscam completar o ensino fundamental e médio.

Educação de Jovens e Adultos em Boa Vista

A Educação de Jovens e Adultos funciona com metodologia adaptada às necessidades dos estudantes que conciliam trabalho, família e estudos. As aulas acontecem em horários noturnos ou em turnos alternativos para facilitar a presença de quem tem compromissos diurnos. Em Boa Vista, a Secretaria Municipal de Educação gerencia diversas turmas do EJA espalhadas por bairros da capital roraimense.

Dona Diomar integra uma dessas turmas, onde compartilha experiências com colegas de diferentes idades e histórias de vida. O ambiente escolar se transformou em espaço de convivência e troca de saberes, muito além do conteúdo formal das disciplinas. Para ela, cada dia na escola representa uma conquista pessoal e a realização de um sonho adiado por décadas.

A trajetória da aluna septuagenária reflete desafios comuns a muitas gerações em Roraima. Em décadas passadas, o acesso à educação era mais restrito, especialmente em áreas rurais e comunidades distantes dos centros urbanos. Hoje, programas como o EJA tentam corrigir essa lacuna histórica, oferecendo segunda chance para quem não pôde estudar na infância ou adolescência.

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Superação e aprendizado contínuo

O caso de dona Diomar chama atenção não apenas pela idade, mas pela demonstração de que o desejo de aprender não tem prazo de validade. Seu exemplo ressalta a importância da educação ao longo da vida, conceito cada vez mais valorizado em políticas públicas. Em Roraima, onde a população enfrenta particularidades fronteiriças e diversidade cultural, a educação de adultos ganha dimensão social ainda mais relevante.

A filha que apoia a mãe nos estudos representa uma inversão de papéis comum em muitas famílias brasileiras. Enquanto tradicionalmente os pais incentivam os filhos na escola, aqui a filha assume o papel de motivadora e companheira de jornada educacional. Essa dinâmica familiar positiva fortalece vínculos afetivos e cria memórias compartilhadas em torno do aprendizado.

Professores que atuam no EJA em Roraima relatam histórias semelhantes de superação. Muitos alunos trabalham durante o dia em atividades como comércio, serviços ou agricultura, e à noite se dedicam aos estudos. A persistência desses estudantes inspira os educadores a desenvolver metodologias cada vez mais adequadas ao perfil da turma.

Para dona Diomar, o retorno à escola significa mais do que aprender português, matemática ou ciências. Representa autonomia, autoestima renovada e participação ativa na sociedade. Ela agora lê notícias com mais facilidade, compreende melhor documentos do cotidiano e se sente mais confiante para tomar decisões. São conquistas aparentemente simples, mas que impactam profundamente a qualidade de vida.

A história da aluna de 74 anos também evidencia como a educação pode ser ferramenta de inclusão social para idosos. Em um país onde a população envelhece rapidamente, garantir oportunidades de aprendizado para essa faixa etária se torna questão de cidadania. Programas como o EJA precisam considerar as especificidades dos estudantes mais velhos, adaptando ritmos e conteúdos.

Em Roraima, a Educação de Jovens e Adultos segue como política pública prioritária para reduzir índices de analfabetismo e escolaridade incompleta. Dados educacionais do estado mostram avanços nas últimas décadas, mas ainda há caminho a percorrer para universalizar o acesso e garantir qualidade no ensino. Histórias como a de dona Diomar lembram que por trás das estatísticas há pessoas com sonhos, desafios e capacidade de transformação.

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