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O rendimento médio mensal das famílias brasileiras alcançou R$ 2.264 por pessoa em 2025, estabelecendo novo recorde histórico desde o início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) em 2012. O valor representa crescimento real de 6,9% após desconto da inflação em relação a 2024, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (8). Esta é a quarta alta consecutiva nos rendimentos domiciliares, indicando tendência de recuperação econômica sustentada.

As diferenças regionais seguem marcantes no panorama nacional. O Distrito Federal lidera o ranking com rendimento per capita de R$ 4.401, seguido por São Paulo (R$ 2.862), Rio Grande do Sul (R$ 2.772), Santa Catarina (R$ 2.752), Rio de Janeiro (R$ 2.732) e Paraná (R$ 2.687). Na base da lista aparecem Ceará (R$ 1.379), Acre (R$ 1.372) e Maranhão (R$ 1.231), evidenciando as disparidades entre unidades federativas.

Desigualdades regionais persistem

Por regiões, o Sul apresenta o maior rendimento médio com R$ 2.734, seguido pelo Centro-Oeste (R$ 2.712) e Sudeste (R$ 2.669). Nordeste (R$ 1.470) e Norte (R$ 1.558) permanecem com os valores mais baixos, refletindo desafios estruturais nessas áreas do país. Em Roraima, estado fronteiriço com Venezuela e Guiana que integra a região Norte, os dados específicos acompanham o contexto regional de rendimentos mais modestos comparados às médias nacionais.

A composição do rendimento familiar mostra que 75,1% provêm do trabalho, enquanto 24,9% originam-se de outras fontes. Dentre estas, aposentadoria e pensão representam 16,4%, programas sociais respondem por 3,5%, aluguel e arrendamento correspondem a 2,1%, outros recursos somam 2%, e pensão alimentícia, doação e mesada de não morador totalizam 0,9%.

O Nordeste apresenta particularidade na origem dos rendimentos: apenas 67,4% vêm do trabalho contra média nacional de 75,1%, enquanto outras fontes respondem por 32,6% do orçamento familiar. Na região, aposentadorias e pensões representam 20,4% contra 16,4% nacionalmente, e programas sociais governamentais alcançam 8,8%, a maior proporção do país.

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Expansão da população com rendimentos

A pesquisa individual revela que o Brasil contava com 212,7 milhões de pessoas em 2025, sendo que 143 milhões possuíam algum tipo de rendimento, equivalente a 67,2% da população. Este é o maior nível já registrado, superando o recorde anterior de 2024 quando 140 milhões (66,3%) tinham renda.

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A parcela de brasileiros com rendimento do trabalho atingiu 47,8% da população total, enquanto os que recebiam de outras fontes somaram 27,1%. Ambos os índices representam marcas históricas na série iniciada há treze anos.

No grupo das outras fontes, aposentadoria e pensão previdenciária aparecem como a origem mais comum para 13,8% da população, também recorde histórico. Em comparação com o início da série em 2012 quando apenas 11,7% recebiam esses benefícios, o crescimento reflete mudanças demográficas significativas.

Gustavo Fontes analista do IBGE observa que esse aumento está relacionado ao envelhecimento populacional brasileiro: "Isso reflete sobretudo o envelhecimento populacional". Os brasileiros que recebiam programas sociais governamentais como Bolsa Família totalizaram 9,1% em 2025, ligeiramente abaixo dos 9,2% do ano anterior mas superior aos níveis pré-pandemia quando em 2019 apenas 6,3% recebiam benefícios.

O ano de registro histórico também marcou recorde nos valores individuais dos rendimentos brasileiros tanto os originados no trabalho quanto os provenientes de todas as fontes combinadas. O rendimento médio mensal do trabalho fixou-se em R$ 3.560 alta real de cinco vírgula sete por cento acima da inflação comparada com dois mil e vinte e quatro quando foi R$ três mil duzentos e oito.

Considerando todos os tipos de rendimentos incluindo trabalho aposentadorias pensões seguro-desemprego bolsas estudo benefícios sociais aluguéis a média mensal atingiu R$ três mil trezentos sessenta sete expansão real cinco vírgula quatro por cento em relação ao período anterior.

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Concentração ainda elevada

A Pnad continua revelando concentração significativa na distribuição da riqueza nacional: os dez por cento mais ricos da população apresentavam rendimento treze vírgula oito vezes maior que os quarenta por cento mais pobres mantendo padrão histórico de desigualdade apesar dos avanços recentes.

Outro dado relevante indica que vinte dois vírgula sete por cento das famílias brasileiras aproximadamente dezoito milhões domicílios recebiam algum benefício social governamental seja federal estadual municipal durante dois mil vinte cinco demonstrando amplitude dos programas assistenciais no território nacional.

A pesquisa abrange todo o território nacional incluindo as quinze cidades roraimenses onde Boa Vista concentra cerca da metade dos habitantes do estado fronteiriço amazônico conhecido por sua dinâmica econômica peculiar influenciada pela localização geográfica estratégica entre Venezuela Guiana Brasil.

Os dados consolidados reforçam tendência positiva na economia brasileira após anos consecutivos crescimento real dos rendimentos familiares individuais indicando possível fortalecimento mercado consumo interno redução gradual desigualdades regionais embora permaneçam desafios estruturais especialmente nas regiões Norte Nordeste país onde indicadores ainda ficam abaixo médias nacionais.

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