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Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, o economista conhecido como Chico Lopes, morreu aos 79 anos no Rio de Janeiro. A morte do ex-presidente interino do Banco Central ocorreu na quinta-feira, 7 de março, no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, e foi confirmada pela família um dia depois. A unidade de saúde não divulgou a causa do óbito.

Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre pela FGV e doutor por Harvard, Lopes tinha uma trajetória acadêmica e profissional marcante. Ele atuou como professor na PUC Rio e na Universidade de Brasília, além de fundar a consultoria Macrométrica. Sua passagem pelo Ministério da Fazenda em 1987 antecedeu a nomeação para diretor do Banco Central entre 1995 e 1998.

A família emitiu um comunicado destacando sua contribuição para o pensamento econômico brasileiro. O texto ressaltou sua atuação na construção e debate da política econômica nacional, além de características como inteligência, firmeza intelectual e décadas de dedicação ao país.

Trajetória no Banco Central e criação do Copom

Chico Lopes assumiu a presidência interina do Banco Central em janeiro de 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, em meio a uma crise cambial que pressionava a economia brasileira. Seu mandato, que durou até fevereiro daquele ano, coincidiu com a transição do regime de câmbio administrado para o câmbio flutuante.

Esse período também foi marcado pela polêmica operação de socorro aos Bancos Marka e FonteCidam, instituições em dificuldades devido à cotação do dólar. A medida gerou prejuízos ao BC e motivou a instalação da CPI do Sistema Financeiro. Lopes sempre defendeu a legalidade da ação, argumentando que evitou a quebra das instituições e uma possível crise financeira mais ampla.

Sua contribuição mais duradoura, no entanto, foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária. O Copom, órgão responsável pela condução da política monetária e decisões sobre a taxa Selic, trouxe previsibilidade, transparência e rigor técnico às definições de juros no país.

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Em depoimento autobiográfico publicado pelo Banco Central em 2019, Lopes destacou a importância do comitê. Ele afirmou que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real e para o estabelecimento de uma política monetária efetiva, defendendo a necessidade de um ritual e a gravação das reuniões sobre taxas de juros.

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Legado e reconhecimento institucional

O Banco Central emitiu nota expressando profundo pesar pela morte do economista. A instituição destacou que Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento da inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990, desafio macroeconômico central de sua época.

Para o BC, Chico Lopes marcou a história da estabilização econômica brasileira e deixou um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país. Sua atuação incluiu participação em discussões sobre planos anti-inflacionários como Cruzado e Bresser, além de contribuições para a consolidação do Plano Real.

A trajetória profissional do economista se estendeu além do setor público. Como consultor e acadêmico, ele influenciou gerações de economistas e participou ativamente do debate sobre políticas econômicas no Brasil. Sua formação internacional, com doutorado em Harvard, trouxe perspectivas comparadas para suas análises sobre a realidade brasileira.

O contexto econômico de Roraima, estado com quinze municípios e capital Boa Vista, também foi influenciado por políticas monetárias definidas no período em que Lopes atuou no Banco Central. A estabilização da moeda e o controle inflacionário impactaram diretamente a economia fronteiriça do estado, que mantém relações comerciais com Venezuela e Guiana.

Chico Lopes deixa a esposa Ciça Pugliese, com quem foi casado por mais de 40 anos, três filhos e sete netos. O velório será realizado neste sábado, 9 de março, no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, com cerimônia a partir das 13h. A cremação está marcada para as 16h do mesmo dia.

O legado do economista permanece não apenas nas instituições que ajudou a moldar, mas também na formação de profissionais e no debate econômico brasileiro. Sua contribuição para a criação do Copom estabeleceu um marco na condução da política monetária, com reflexos que perduram até os dias atuais na economia nacional e regional.

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