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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, iniciativa que pode transformar o potencial mineral de estados como Roraima em desenvolvimento econômico sustentável. O PL 2.780/2024 estabelece diretrizes para ampliar a segurança jurídica do setor, fortalecer a cadeia produtiva e incentivar pesquisas científicas em áreas consideradas essenciais para transição energética e inovação tecnológica.
O texto prevê a criação de um sistema nacional de rastreabilidade mineral e da Rede Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Formação Profissional em Minerais Críticos e Estratégicos. Esses mecanismos buscam ampliar o controle sobre a origem dos recursos brasileiros enquanto estimulam investimentos em qualificação profissional e avanços tecnológicos.
Potencial nortista em destaque
Durante a tramitação do projeto, parlamentares destacaram repetidamente o potencial mineral da Região Norte, onde Roraima ocupa posição estratégica. O estado, que faz fronteira com Venezuela e Guiana, possui riquezas minerais ainda pouco exploradas de forma sistemática, situação que a nova política pretende modificar.
"O mundo inteiro está olhando para os minerais críticos e estratégicos", afirmou o deputado Defensor Stélio, autor de propostas incorporadas ao projeto.
"Roraima está inserido nesse processo e, sim, é um caminho em médio e longo prazo que contribuirá para o fortalecimento do nosso estado."
Stélio enfatizou que o Brasil precisa estar preparado para transformar esse potencial em desenvolvimento concreto, com geração de empregos, pesquisa, inovação e benefícios reais para a população. Para ele, a aprovação representa "um avanço importante para o Brasil" e é "gratificante ver ideias construídas pelo nosso mandato sendo incorporadas a um projeto tão estratégico"
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Roraima possui quinze municípios, com Boa Vista como capital, e sua economia historicamente se baseou em atividades como pecuária, agricultura e comércio fronteiriço. A mineração sempre existiu no estado, mas frequentemente de forma irregular ou sem os controles adequados que garantam sustentabilidade ambiental e retorno social.
Mecanismos de controle e desenvolvimento
A nova política estabelece instrumentos específicos para incentivar o aproveitamento sustentável dos recursos minerais e fortalecer a participação brasileira no mercado internacional de minerais essenciais. Entre as medidas estão:
- Sistema nacional de rastreabilidade para monitorar origem e destino dos minerais
- Rede nacional de pesquisa científica focada em minerais críticos
- Programas de formação profissional especializada no setor mineral
- Incentivos à inovação tecnológica na cadeia produtiva
- Mecanismos de segurança jurídica para atrair investimentos
Essas iniciativas pretendem criar um ambiente mais seguro para empresas que queiram investir na mineração brasileira, especialmente em regiões como o Norte, onde os desafios logísticos e de infraestrutura sempre foram consideráveis. A expectativa é que maior controle sobre a produção mineral também combata atividades ilegais que prejudicam tanto o meio ambiente quanto os cofres públicos.
O projeto chega em momento crucial, quando diversos países aceleram suas transições energéticas e dependem cada vez mais de minerais específicos para tecnologias verdes. Roraima possui ocorrências conhecidas de minerais como nióbio, tungstênio, terras raras e outros elementos considerados críticos para setores como eletrônicos, baterias avançadas e energia renovável.
Municípios do interior roraimense como Pacaraima (na fronteira venezuelana), Alto Alegre, Amajari e Normandia têm histórico de atividade mineral, muitas vezes realizada por garimpeiros independentes sem conexão com cadeias formais de produção. A nova política pode abrir caminho para regularização dessas atividades com maior controle estatal e benefícios fiscais para municípios produtores.
"Roraima está inserido nesse processo e é um caminho em médio e longo prazo que contribuirá para o fortalecimento do nosso estado."
A implementação da política exigirá articulação entre governo federal, estados produtores como Roraima e municípios onde ocorrem as jazidas. Secretarias estaduais como a de Desenvolvimento Econômico e Mineração terão papel fundamental nesse processo, assim como instituições locais como a Universidade Federal de Roraima (UFRR) para pesquisas aplicadas.
Especialistas apontam que o sucesso da iniciativa dependerá não apenas da legislação federal, mas também da capacidade dos estados em criar ambientes favoráveis aos investimentos responsáveis. Roraima precisará equilibrar proteção ambiental, especialmente em áreas sensíveis como as proximidades do Monte Roraima, com desenvolvimento econômico baseado em recursos naturais.
A política nacional chega quando Roraima discute internamente seu modelo de desenvolvimento mineral. Projetos anteriores enfrentaram resistência de comunidades indígenas e ambientalistas preocupados com impactos em territórios tradicionais. O novo marco legal pode oferecer padrões mais claros sobre como conciliar exploração econômica com direitos socioambientais.
Para além dos aspectos técnicos, a aprovação simboliza reconhecimento federal do potencial nortista. Parlamentares da região vinham defendendo há anos maior atenção às riquezas minerais amazônicas, argumentando que era necessário transformar recursos naturais em prosperidade compartilhada através de empregos qualificados e receitas públicas.
Agora o projeto segue para análise no Senado Federal antes de possível sanção presidencial. Se convertido em lei, começará fase regulamentar onde detalhes operacionais serão definidos, período crucial para que Roraima garanta que suas particularidades sejam consideradas nos mecanismos de implementação.











