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O governo de Roraima anunciou nesta semana um plano emergencial para enfrentar a crise nas filas cirúrgicas da rede pública estadual. O governador Soldado Sampaio reuniu secretários e gestores de saúde para definir medidas imediatas que devem ampliar o número de procedimentos e reduzir o tempo de espera dos pacientes. O encontro ocorreu na sede da administração estadual em Boa Vista, capital do estado que tem 15 municípios e fronteira com Venezuela e Guiana.

A estratégia envolve a otimização de recursos humanos, abertura de leitos cirúrgicos extras e melhorias na logística de transporte de pacientes entre municípios. Segundo informações do governo, a meta inicial é zerar as filas consideradas prioritárias nos próximos três meses. O plano prevê ações concentradas nos principais hospitais estaduais, incluindo unidades de referência em Boa Vista e nos maiores municípios do interior.

A decisão surge em um momento de aumento na demanda por serviços de saúde em Roraima, estado que enfrenta desafios estruturais históricos na área. A pandemia de covid-19 agravou a situação das filas cirúrgicas, com muitos procedimentos eletivos sendo adiados durante os períodos mais críticos. Agora, a administração estadual busca recuperar o tempo perdido e organizar um fluxo mais eficiente de atendimentos.

Medidas imediatas e metas específicas

Entre as ações definidas no plano emergencial está a realização de mutirões cirúrgicos em finais de semana. Equipes médicas voluntárias devem ser mobilizadas para ampliar a capacidade operacional dos hospitais. O governo também pretende firmar parcerias com instituições de ensino, como a Universidade Federal de Roraima e a Universidade Estadual, para engajar residentes e estudantes na força-tarefa.

Outro ponto abordado foi a necessidade de melhorar o sistema de regulação estadual, responsável por distribuir os pacientes entre as unidades de saúde. A ideia é criar um centro de controle que monitore em tempo real a disponibilidade de leitos cirúrgicos e agilize o encaminhamento de casos. Tecnologias de telemedicina podem ser utilizadas para triagem pré-operatória, especialmente para pacientes do interior que enfrentam longas distâncias até Boa Vista.

O plano estabelece metas quantitativas mensais para cada hospital da rede estadual. As unidades deverão reportar semanalmente o número de cirurgias realizadas, separadas por especialidade. Os dados serão consolidados pela Secretaria Estadual de Saúde, que fará o acompanhamento direto das ações. A transparência na divulgação desses números foi um compromisso assumido pelo governador durante a reunião.

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Recursos financeiros extras já estão sendo direcionados para custear insumos, medicamentos e materiais descartáveis necessários para a ampliação das cirurgias. O governo afirmou que não haverá corte em outras áreas da saúde para financiar a iniciativa. A expectativa é que o impacto comece a ser percebido pela população ainda neste trimestre.

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Desafios logísticos no interior do estado

Um dos obstáculos mencionados durante a discussão foi a dificuldade de transporte de pacientes de municípios distantes até os centros cirúrgicos. Localidades como Uiramutã, na fronteira com a Venezuela, ou São Luiz, no sul do estado, demandam viagens de centenas de quilômetros para acesso a serviços especializados. O plano prevê a organização de uma frota estadual dedicada a esse deslocamento, com veículos adaptados e equipes de acompanhamento.

Outra preocupação é a capacidade das unidades de saúde dos municípios menores em realizar os preparativos pré-operatórios. Muitos pacientes chegam aos hospitais de Boa Vista sem exames atualizados ou documentação completa, o que causa novos adiamentos. A proposta inclui a capacitação de equipes municipais para fazer essa pré-triagem e garantir que tudo esteja em ordem antes da transferência.

A infraestrutura física dos hospitais também receberá atenção. Algumas salas cirúrgicas que estavam ociosas por falta de manutenção devem passar por reparos urgentes. A lista de prioridades inclui:

  • Substituição de equipamentos obsoletos em centros cirúrgicos
  • Ampliação do sistema de esterilização de materiais
  • Melhoria nas instalações de recuperação pós-anestésica
  • Adequação de acessibilidade para pacientes com mobilidade reduzida

O governo estadual afirmou que buscará apoio do Ministério da Saúde para algumas dessas intervenções, mas garantiu que as ações emergenciais não dependem de repasses federais para serem iniciadas. A secretária estadual de Saúde participou ativamente da elaboração do plano e destacou a importância do trabalho integrado entre diferentes níveis de gestão.

A expectativa é que, com a implementação das medidas, Roraima consiga reduzir significativamente o tempo de espera por cirurgias eletivas. Casos considerados urgentes, como oncologia e traumatologia, já têm fluxo diferenciado, mas também devem ser beneficiados pela organização geral do sistema. O próximo passo será a divulgação do calendário de mutirões e a definição dos critérios de prioridade para os pacientes que aguardam na fila.

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