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Uma nova publicação examina como o planejamento urbano pode ser mais inclusivo para as crianças, resultando em benefícios para todas as idades. O livro, intitulado "Cidades que Abraçam Infâncias", é fruto da pesquisa da jornalista Regina Cintra e destaca a importância de considerar as necessidades dos mais jovens no desenvolvimento das cidades.
A obra consolida os pontos comuns de experiências bem-sucedidas em quatro cidades, enfatiza o papel das parcerias entre a gestão pública e organizações sociais, e apresenta recomendações para a criação de ambientes urbanos mais acolhedores. A autora partiu da inquietação sobre como a dinâmica das cidades contemporâneas excluem e desrespeitam sistematicamente as necessidades e ritmos dos mais novos, impactando a qualidade de vida de quem está no entorno.
A jornalista aponta que a infraestrutura das ruas, os tempos semafóricos para pedestres, a ausência de mobiliário urbano confortável e a falta de caminhos seguros para quem se desloca a pé afetam diretamente as crianças e seus acompanhantes. A opção rodoviarista, adotada há décadas, contribui para uma realidade hostil nos espaços urbanos.
Os primeiros anos de vida são fundamentais para um desenvolvimento saudável, período em que o cérebro possui grande plasticidade e as interações moldam uma estrutura sólida. Traumas ou privações nessa fase podem comprometer a arquitetura cerebral, e é nesse início que as crianças têm suas primeiras experiências com a cidade.
A relevância do tema é acentuada pelo fato de que 87% da população brasileira vive em áreas urbanas onde as desigualdades sociais se consolidam. A qualidade das calçadas, a distância de praças e a exposição à poluição afetam diretamente a saúde e o bem-estar das crianças em desenvolvimento.
Pesquisa e Entrevistas
O livro "Cidades que Abraçam Infâncias" é resultado da pesquisa de mestrado de Regina Cintra e inclui oito entrevistas, além de ilustrações de Erika Teixeira e 70 fotos. Os entrevistados são profissionais atuantes no planejamento urbano e nas áreas dedicadas às infâncias.
Entre os entrevistados estão gestoras públicas como Teresa Surita (Boa Vista), Luciana Lima e Murilo Cavalcanti (Recife), e Marcelo Peroni (Jundiaí). Também contribuíram Claudia Vidigal (representante da Fundação Van Leer no Brasil), Rodrigo Mindlin Loeb (arquiteto urbanista e autor de "Cidade, Gênero e Infância"), Vital Didonet (mestre em Educação e assessor da Rede Nacional Primeira Infância) e Santiago Uribe (arquiteto de Medellín).
Cada uma representa um contexto diferente, desde uma cidade rica com alto IDH até um caso de sucesso internacional em transformação urbana.
A obra, escrita em linguagem acessível, busca difundir experiências bem-sucedidas e mostrar que é possível criar espaços urbanos mais calmos e acolhedores, com soluções de baixo e médio custo e implementação em curto prazo.
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