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A Justiça roraimense concedeu liberdade à influenciadora digital Vitória Reis da Silva nesta quinta-feira, 8 de maio de 2026. A decisão da juíza Daniela Schirato, da Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas de Boa Vista, revogou a prisão preventiva que mantinha a jovem detida desde a Operação Mantus, deflagrada no final de abril pela Polícia Civil do estado. A magistrada aceitou os argumentos da defesa e acatou manifestação favorável do Ministério Público Estadual, entendendo que medidas cautelares alternativas seriam suficientes para garantir o andamento processual.

Vitória Reis estava entre as oito pessoas presas durante a operação que investiga crimes relacionados a jogos de azar ilegais, popularmente conhecidos como "jogo do tigrinho". A ação policial também apura suspeitas de crimes contra o consumidor e lavagem de dinheiro. Além das prisões realizadas em 27 de abril, os agentes cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em Roraima e Goiás, sequestraram bens móveis e imóveis e bloquearam valores que podem alcançar R$ 68 milhões em contas bancárias e carteiras de investimentos dos investigados.

Fundamentos da decisão judicial

A juíza Daniela Schirato fundamentou sua decisão em vários aspectos apresentados tanto pela defesa quanto pelo Ministério Público. A magistrada destacou que os riscos inicialmente apontados para justificar a prisão preventiva foram neutralizados pelas medidas já adotadas durante a investigação. Entre essas medidas estão o bloqueio de ativos financeiros da investigada, a suspensão de seus perfis em redes sociais e a apreensão de dispositivos eletrônicos utilizados por ela.

O Ministério Público de Roraima informou à Justiça que Vitória Reis disponibilizou acesso integral aos seus dados digitais durante as investigações conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos. Esse aspecto foi considerado relevante para demonstrar colaboração com as autoridades. A defesa da influenciadora, representada pelos advogados Carlos Vila Real e Edmarcos Gonçalves, apresentou argumentos sobre sua situação pessoal e profissional.

Os advogados alegaram que Vitória possui ocupação lícita, endereço fixo na capital Boa Vista, vínculo profissional estável e é estudante universitária do curso de Farmácia. Esses elementos foram avaliados pela magistrada como fatores que reduzem o risco de fuga ou obstrução da justiça. A juíza também considerou o princípio da isonomia ao observar que outros investigados pelos mesmos fatos já haviam recebido liberdade mediante medidas cautelares diversas da prisão.

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Medidas cautelares impostas

Apesar da soltura, Vitória Reis deverá cumprir uma série rigorosa de medidas cautelares determinadas pela Justiça roraimense. A principal determinação é o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para monitoramento permanente de seus movimentos. Ela também ficará sujeita ao recolhimento domiciliar noturno, com horários específicos estabelecidos pela decisão judicial.

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A influenciadora está proibida de sair da comarca de Boa Vista sem autorização expressa da Justiça. Deverá comparecer mensalmente em juízo para prestar informações sobre seu cumprimento das determinações. Uma das restrições mais significativas para sua atividade profissional é a proibição total de utilizar redes sociais até o fim da instrução processual.

A decisão judicial veda especificamente a criação de novas contas em plataformas digitais por parte da investigada. Ela também não poderá promover jogos de azar em qualquer meio digital enquanto durar o processo. A magistrada advertiu explicitamente que o descumprimento de qualquer uma dessas determinações poderá resultar na decretação imediata de nova prisão preventiva.

A defesa técnica emitiu nota oficial após a soltura da cliente, afirmando que "Vitória Reis será monitorada eletronicamente e cumprirá as demais condições fixadas na decisão, com recolhimento domiciliar noturno". Os advogados acrescentaram que "ela responde ao processo em liberdade, como sempre deveria ter sido" e que seguirão

"Atuando com rigor técnico para demonstrar, no curso da instrução, que Vitória Reis não concorreu para os crimes que lhe são imputados"

A Operação Mantus representa um dos maiores esforços recentes da Polícia Civil de Roraima no combate aos crimes cibernéticos relacionados a jogos ilegais. A delegacia especializada que conduziu as investigações atua especificamente na repressão a fraudes digitais, golpes financeiros e atividades ilícitas realizadas através da internet. O caso tem chamado atenção pelo volume financeiro envolvido e pela participação de influenciadores digitais com grande alcance nas redes sociais.

Roraima, estado fronteiriço com Venezuela e Guiana, tem enfrentado desafios crescentes no combate a crimes transnacionais que utilizam a internet como ferramenta principal. A capital Boa Vista, com seus aproximadamente 400 mil habitantes, concentra a maior parte das atividades econômicas digitais do estado e também se torna alvo preferencial para investigações desse tipo.

O Tribunal de Justiça local tem adotado postura rigorosa quanto à aplicação das medidas cautelares em casos envolvendo crimes digitais. A Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas, onde tramita o processo contra Vitória Reis, é responsável por julgar delitos complexos que envolvem múltiplas infrações penais conectadas por organizações criminosas.

O Ministério Público Estadual mantém posição ativa nas investigações sobre jogos ilegais, especialmente após aumento nas denúncias sobre prejuízos financeiros sofridos por consumidores roraimenses. As promotorias especializadas têm trabalhado em conjunto com órgãos federais para identificar fluxos financeiros irregulares e esquemas de lavagem de dinheiro camuflados como atividades lícitas na internet.

A situação processual dos demais investigados na Operação Mantus continua sendo analisada individualmente pela Justiça roraimense. Cada caso recebe tratamento específico conforme as circunstâncias pessoais, nível de envolvimento alegado e colaboração com as investigações. O desfecho do processo contra Vitória Reis poderá influenciar decisões futuras sobre outros réus com perfis semelhantes.

A defesa técnica já anunciou que preparará estratégia para contestar as acusações durante a fase instrutória do processo. Os advogados afirmam ter elementos que demonstram falta de participação direta da cliente nos crimes investigados. O andamento do caso será acompanhado mensalmente pela Justiça através dos comparecimentos obrigatórios estabelecidos na decisão desta quinta-feira.

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