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O podcast Identidade da TV Assembleia de Roraima (Canal 57.3) debateu nesta segunda-feira (6/7) a transição capilar, a autoestima e a valorização dos cabelos naturais. O programa, gravado no estúdio Márcia Seixas, reuniu convidadas para discutir os impactos sociais e emocionais de assumir os fios ao natural.

Mediado pela jornalista Raynaã Fernandes, que já passou por duas transições capilares, o debate abordou a chamada “ditadura dos cabelos lisos”, um padrão de beleza historicamente imposto que, segundo as participantes, causou danos à saúde mental de mulheres cacheadas e crespas ao longo de décadas.

Raynaã relembrou sua primeira transição capilar em 2014, período marcado pela escassez de informações, produtos e profissionais especializados.

“Hoje, temos mais facilidade, tanto em relação à tecnologia quanto à oferta de produtos, e o segmento também tem crescido. Mas, principalmente, mudou a forma como as pessoas têm lidado com a aceitação. Esse, na minha opinião, é o principal desafio. Quando a gente fala de padrões de beleza, por muito tempo, o cabelo liso foi tratado como o ideal. Então, para estar esteticamente dentro do padrão, era preciso ter o cabelo liso”, afirmou.

Informação e aceitação

A terapeuta capilar Elanne Barbosa, que atua há pouco mais de dois anos no segmento de cuidados com cabelos cacheados, destacou a importância das conversas sobre o tema.

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“Por décadas, existiram poucos produtos específicos para cabelos crespos e cacheados. Por isso, muitas pessoas acabavam recorrendo ao alisamento. Com o tempo, a evolução dos cosméticos e os avanços nos estudos sobre imagem pessoal permitiram um olhar mais direcionado para mulheres e crianças com esses tipos de cabelo, que antes sofriam por não saberem como cuidar deles. Hoje, há uma diversidade de possibilidades e, por isso, vale a pena comunicar sobre esse tema”, ressaltou.

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Identidade e empoderamento

A psicóloga Arieche Lima explicou que o cabelo é um elemento central na construção da identidade, autoestima e segurança, especialmente para as mulheres.

“É um movimento que vem se intensificando e que combate uma série de ideias preconceituosas e também uma indústria que, por muito tempo, não atendeu às demandas de cuidado e beleza das mulheres que têm esse tipo de cabelo. O ser humano passa por um processo de construção da identidade, que envolve tanto a forma como se vê quanto a maneira como o outro o enxerga. Então, ainda na infância, estamos construindo quem somos a partir da opinião dos adultos que estão ao nosso redor”, disse.

A MC Rafa Black complementou, afirmando que o cabelo crespo é parte fundamental da construção de sua autoestima e autoimagem. Atuando no rap, movimento cultural que valoriza a negritude, assumir os cabelos naturais foi essencial para compreender suas raízes e fortalecer seu pertencimento à expressão cultural.

“Foi tudo nesse movimento de assumir o cabelo. Ele é um ponto fundamental não só para a autoestima, mas também para a autoimagem e para a construção do saber e do conhecimento. Após a transição, comecei a pesquisar sobre a história afro-brasileira e a história africana e, assim, construí a personagem que sou hoje, a Rafa Black”, relatou.

O conteúdo completo do podcast Identidade será disponibilizado nas plataformas de áudio Deezer e Spotify, além da página oficial da ALERR no YouTube, após o período de vedação eleitoral.

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