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A feirinha da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) se consolida como ponto de encontro entre produtores e consumidores todas as sextas-feiras no bairro São Francisco, em Boa Vista. O espaço funciona das 7h30 às 13h30 no estacionamento da secretaria, localizada na rua General Penha Brasil, 1.121. Muitas das expositoras são mães e chefes de família que encontraram na produção própria uma fonte de renda e autonomia financeira.

Raimunda Nonato, de 63 anos, é uma dessas agricultoras. Natural do Maranhão, ela vive em Roraima há mais de três décadas e pratica agricultura familiar há mais de dez anos no Projeto de Assentamento Nova Amazônia. Do cultivo da terra ao transporte dos produtos para a feira, ela sustenta quatro filhos e nove netos com a venda de feijão-verde, alface, abobrinha, coentro, maxixe, quiabo e tomate. "É daqui que tiro o sustento dos meus filhos. A gente planta, colhe e traz pra cá com muito orgulho", afirma a produtora.

A feirinha beneficia moradores do São Francisco e regiões próximas com alimentos frescos, produtos regionais, culinária típica e artesanato. O circuito encurta o caminho entre quem produz e quem consome, fortalecendo a economia local e incentivando hábitos alimentares mais saudáveis. A iniciativa também promove a valorização da cultura regional, expressa nos sabores, saberes tradicionais e nas peças artesanais expostas.

Mulheres transformam cuidado em força produtiva

Antes mesmo do movimento começar e das primeiras vendas acontecerem, são mãos de mães que dão início à rotina. Entre colheitas, panelas e peças artesanais, elas transformam cuidado em trabalho e fazem da feirinha um espaço onde o afeto também se traduz em renda. A engenheira agrônoma Ivaníria Faquinella destaca que o momento dedicado às mães convida à reflexão sobre o papel dessas mulheres que conciliam múltiplas jornadas diariamente.

"Neste mês dedicado às mães, a feirinha também ganha um significado ainda mais especial", observa a especialista. Ela aponta que muitas dessas produtoras transformam o cuidado com a família em força produtiva, encontrando na agricultura familiar e no artesanato não apenas sustento, mas também independência e realização pessoal. O modelo de comercialização direta permite que elas tenham maior controle sobre os preços e o destino de sua produção.

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A agricultura familiar em Roraima envolve milhares de produtores em assentamentos rurais distribuídos pelos 15 municípios do estado. Boa Vista, como capital, concentra parte significativa do consumo, mas a produção vem de diferentes regiões, incluindo áreas como Caracaraí, Rorainópolis, Mucajaí e Cantá. A conexão direta entre campo e cidade reduz custos de transporte e intermediários, beneficiando tanto quem produz quanto quem consome.

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Circuito fortalece economia local em Roraima

A feirinha da Seadi representa apenas uma das iniciativas que buscam fortalecer a produção local em Roraima. O estado, que faz fronteira com Venezuela e Guiana, tem na agricultura familiar uma importante atividade econômica, especialmente nas regiões de assentamentos rurais. A comercialização direta ganha espaço como alternativa aos canais tradicionais de distribuição, que muitas vezes encarecem os produtos frescos.

Além dos alimentos in natura, a feira oferece produtos processados como doces, bolos, pães e pratos típicos da região. O artesanato local também encontra espaço, com peças que utilizam matérias-primas regionais e técnicas tradicionais. Essa diversidade atrai diferentes perfis de consumidores, desde famílias em busca de alimentos frescos até turistas interessados em conhecer a cultura roraimense.

A regularidade do evento, realizado todas as sextas-feiras, cria uma rotina para produtores e consumidores. Muitos moradores do bairro São Francisco e arredores já incorporaram a visita à feira em seus hábitos semanais. Para as produtoras, a previsibilidade das vendas permite um melhor planejamento da produção e das finanças familiares.

O modelo da feirinha da Seadi inspira outras iniciativas similares no estado. A valorização da produção local ganha força como estratégia de desenvolvimento econômico e social, especialmente em um contexto onde a autonomia financeira das mulheres rurais se mostra cada vez mais relevante. A combinação entre tradição, inovação e comércio justo define o caráter dessa iniciativa que transforma espaços públicos em pontos de encontro e geração de renda.

A feirinha continua funcionando todas as sextas-feiras no mesmo local, mantendo seu horário das 7h30 às 13h30. A expectativa é que mais produtores familiares se integrem à iniciativa, ampliando a variedade de produtos oferecidos e fortalecendo ainda mais a conexão entre campo e cidade no estado de Roraima.

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