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Artistas e produtores culturais de Roraima denunciam suposto favorecimento político e retaliação em resultados do Edital de Chamamento Público Ciclo 2 da Lei Aldir Blanc, gerido pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult). As acusações incluem aprovação de candidatos sem portfólio e falhas contínuas na execução do certame por empresa terceirizada.
Suspeitas de interferência de parlamentares nas aprovações também foram levantadas.
“Acontece que tem gente de fora, e a gente escuta muito falar em influências políticas de deputado A, deputado B, dentro da Secult. Tirem as mãos do dinheiro da Cultura”, disse um dos denunciantes, que preferiu não se identificar.
A Associação Roraimense de Cinema e Produção Audiovisual Independente (Arcine) enviou um requerimento à Secult questionando notas máximas atribuídas a proponentes sem trajetória cinematográfica no estado e exigiu a reavaliação de todos os lotes do segmento audiovisual. Em resposta, a Secult informou que a reavaliação será feita para corrigir eventuais erros.
Retaliação e exclusão de veteranos
A classe artística também acusa a gestão de punir quem critica a pasta. Uma artista e compositora com 20 anos de carreira, que pediu para não ser identificada, relatou que as cobranças resultam em exclusão das programações oficiais.
“A partir do momento que você faz alguma declaração pública, você automaticamente fica limado das programações. E os artistas sabem disso, é por isso que eles optam sempre pelo silêncio”, afirmou.
A musicista foi desclassificada do edital, assim como outros nomes com décadas de atuação.
“Temos Neuber Uchôa, por exemplo, que tem mais de 40 anos de carreira, que deveria ter uma categoria especial só para ele. É um absurdo você ter uma pessoa que dedicou a sua vida inteira à arte fora de um edital”, criticou a artista, que também apontou que as premiações maiores costumam ir para “nomes que ninguém sabe de onde veio”.
A artista citou ainda a disparidade na infraestrutura de eventos governamentais, como o São João do Parque Anauá. Enquanto atrações nacionais recebiam grandes estruturas, músicos locais enfrentaram condições improvisadas.
“Esse ano era um palco-carreta, era um caminhão aberto, e os artistas estavam se apresentando lá na entrada do Parque Anauá. Já teve de fazerem assim uma decoração no chão e os artistas estarem tocando no chão”, relatou sobre a estrutura oferecida pelo Governo do Estado.
Em outra denúncia, a cantora Nadynne Leal expôs o atraso de aproximadamente R$ 1 milhão em cachês de músicos locais, referentes a shows realizados de abril a julho. Após repercussão, o Governo de Roraima liberou R$ 428,9 mil, mas os meses de junho e julho seguem sem prazo definido para pagamento.
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