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Na comunidade rural do Cantá, interior de Roraima, uma história singela de amizade e acolhimento marcou a vida de muitos moradores. A narrativa envolve uma família conhecida apenas pelo apelido "Barrela" e um batismo improvisado que se tornou símbolo dos laços comunitários.
Os Barrelas: uma família de simplicidade
Na colônia Confiança, região de mata no município do Cantá, vivia uma família que todos conheciam apenas pelo apelido "Barrela". O patriarca, cujo nome verdadeiro poucos lembravam, era descrito como um homem de jeito grosseiro, mas na essência atencioso e prestativo. Sua esposa, uma mulher morena, esbelta e sorridente, cativava a todos com sua simpatia.
A família havia chegado pouco antes do narrador da história se estabelecer na comunidade. A amizade foi imediata e, em dois anos, tornaram-se compadres, relação que no interior carrega significado profundo de confiança e proximidade.
O domingo especial na colônia
Um domingo diferente agitou a colônia Confiança: depois de dois anos sem celebrações religiosas no local, um padre viria de Boa Vista para uma missa especial de despedida. O religioso seria substituído e a comunidade preparou comes e bebidas para o encerramento.
Enquanto a esposa do narrador foi à missa, ele preferiu ficar em casa conversando com os filhos. Por volta das onze horas, um dos filhos lembrou que era hora de buscar o bolo da festa pós-missa. O caminho até o local da celebração reservava uma surpresa.
O batismo improvisado
Ao se aproximarem, notaram movimento incomum. Uma conhecida correu afobada: "Depressa... tão só esperando pelo senhor"
. Sem entender o motivo, o homem viu um grupo em volta do padre.
Sua esposa fez sinal para que se aproximasse, mas ele resistiu: "Não. Fico aqui mesmo". Foi então que alguém deu uma cotovelada e explicou: "
Estão esperando o senhor. O senhor é o padrinho da criança que tão batizando".
Padrinho sem aviso prévio
Surpreso, ele se postou ao lado do grupo. O padre, que nunca o tinha visto, perguntou ríspido: "É o padrinho?!" A esposa confirmou: "É, sim!"
Assinou um papel e a cerimônia se encerrou. Só depois descobriu que havia sido indicado para ser padrinho do garoto, decisão tomada pela comunidade sem consulta prévia, mas carregada de significado.
O domingo terminou com comes e bebidas, celebrando não apenas a despedida do padre, mas também os laços que uniam aquela comunidade simples do interior roraimense.











