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Povos tradicionais brasileiros estão substituindo alimentos históricos de suas dietas por produtos industrializados, revela estudo inédito que analisou padrões alimentares em comunidades de todo o país.

Mudança preocupante nos hábitos alimentares

A pesquisa, que será publicada oficialmente na próxima semana na Revista Ciência & Saúde Coletiva, acompanhou 21 grupos tradicionais, incluindo quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, caiçaras e povos indígenas não aldeados. O trabalho mostra uma tendência consistente de aumento no consumo de alimentos ultraprocessados.

Paralelamente, alimentos que sempre fizeram parte da cultura alimentar dessas populações, como frutas e feijão, estão perdendo espaço no dia a dia. A transformação nos hábitos representa uma ruptura com séculos de tradição alimentar.

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Riscos à saúde das populações tradicionais

"O consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode levar a deficiências nutricionais como falta de ferro, fibras, vitaminas e minerais", alerta especialista em nutrição.

Além disso, esses produtos estão associados a maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas.

Cacique Raoni internado em Sinop com hérnia diafragmática

Diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e obesidade são algumas das condições que podem ser agravadas pela mudança na dieta. O problema afeta especialmente comunidades que historicamente mantinham padrões alimentares mais saudáveis.

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Conexão entre território e alimentação

Os pesquisadores destacam que a garantia de acesso a alimentos saudáveis está diretamente ligada à proteção dos territórios tradicionais. "Terem o cultivo do próprio alimento seria uma das primeiras coisas a ser trabalhada", explica uma das nutricionistas envolvidas no estudo.

O avanço dos ultraprocessados para áreas rurais e comunidades isoladas indica mudanças profundas nos padrões de comércio e acesso a alimentos. Quando produtos industrializados chegam com mais facilidade que alimentos frescos, o sistema alimentar tradicional se enfraquece.

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Políticas públicas para reverter a tendência

O estudo, considerado pioneiro por avaliar tendências temporais em marcadores de consumo alimentar de povos tradicionais em âmbito nacional, pretende subsidiar políticas públicas. Entre as medidas sugeridas estão a regulação da comercialização de ultraprocessados e estratégias de educação alimentar específicas.

Pesquisadores de diversas instituições brasileiras participaram do trabalho, incluindo Universidade de Fortaleza, Universidade Estadual do Ceará, Fiocruz-CE e Universidade Federal de Minas Gerais. O financiamento veio de órgãos como CNPq, Ministério da Saúde e fundações estaduais de apoio à pesquisa.

A publicação completa do estudo está marcada para os próximos dias, quando a comunidade científica e gestores públicos poderão acessar todos os detalhes da pesquisa que expõe uma transformação silenciosa nos hábitos alimentares das populações tradicionais do Brasil.

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