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O servidor público E. S, de 44 anos, foi preso na tarde desta sexta-feira (19/9) pela Polícia Civil de Roraima (PCRR) em Boa Vista. Ele é investigado pelo feminicídio da técnica em radiologia Michele Soares de Deus, de 48 anos, ocorrido em 7 de setembro. A investigação aponta que o homem teria simulado um acidente para ocultar a agressão que levou a vítima à morte.
A prisão preventiva de E. foi solicitada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) na quinta-feira (17/9) e deferida pela Justiça. A Polícia Civil aprofundou a investigação após familiares apresentarem novas informações sobre as circunstâncias da lesão que vitimou Michele. Em poucos dias, a corporação reuniu depoimentos, realizou diligências e obteve prova técnica que confrontou a versão inicial do investigado.
Michele sofreu um grave traumatismo cranioencefálico em 27 de julho e ficou internada no Hospital Geral de Roraima (HGR) por cerca de 40 dias, em tratamento intensivo. Ela morreu em 7 de setembro em decorrência dos ferimentos.
Uma irmã de Michele procurou o Plantão Central Especializado (PCE) em 2 de setembro, ainda durante a internação da vítima, e registrou boletim de ocorrência. Ela relatou desconfiança sobre a versão de que Michele teria sofrido uma queda da cama e batido a cabeça, pois a gravidade das lesões não era compatível com o acidente doméstico informado por E. A familiar solicitou apuração detalhada dos fatos.
Conforme o boletim de ocorrência, a família foi informada de que Michele apresentava um quadro grave de traumatismo cranioencefálico, o que aumentou a suspeita sobre a versão do investigado. Em 11 de setembro, uma filha da vítima apresentou novos fatos ao PCE. Surgiu a informação de que Michele e E. teriam participado de uma festa e, durante uma discussão, o investigado teria empurrado a vítima. Michele teria caído e batido a cabeça no pedal de uma motocicleta, ficando desacordada.
Segundo as informações apresentadas à Polícia Civil, após a queda, E. teria colocado Michele em um veículo e informado que a levaria para receber atendimento médico, mas não o fez naquela ocasião. A versão apresentada pelo investigado à família até então era a de que Michele havia sofrido um acidente doméstico, encontrada caída e inconsciente no quarto do casal na manhã seguinte. Ele mencionou a possibilidade de queda da cama e, posteriormente, que ela teria escorregado em um igarapé.
Com a apresentação dos novos fatos, o caso foi encaminhado à DEAM em 14 de setembro para aprofundamento. A delegada Carla Gabriella Muniz Paulain e sua equipe realizaram diligências para reconstruir a dinâmica dos fatos e confrontar as diferentes versões, analisando depoimentos e documentos médicos.
Perícia técnica
Entre as providências adotadas esteve a realização de perícia médico-legal indireta do corpo, com reconstrução em 3D da lesão em crânio da vítima. O procedimento foi realizado pelo perito oficial médico-legista Esdras Fagundes, do Instituto de Medicina Legal (IML). A análise identificou características da lesão compatíveis com impacto contra objeto rígido, saliente e de superfície limitada, o que se mostrou incompatível com a hipótese de uma simples queda no chão.
Após três dias de aprofundamento da investigação pela DEAM, a delegada representou pela prisão preventiva de E. A medida foi deferida pela Justiça e cumprida na sexta-feira (19/9). foi interrogado na sede da DEAM e exerceu o direito de permanecer em silêncio. Ele será apresentado em audiência de custódia neste sábado (20/9).
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