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O Projeto Educar é Prevenir chega a escolas da capital roraimense com foco no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. A iniciativa da Assembleia Legislativa promove capacitação para professores, funcionários e famílias, reforçando mecanismos de prevenção, acolhimento e denúncia de casos de abuso e exploração sexual.
Desenvolvido em parceria com instituições estaduais, o programa trabalha com a formação de multiplicadores dentro das unidades de ensino. A meta é criar uma rede de proteção integrada que envolva toda a comunidade escolar, desde a educação infantil até o ensino médio.
Em Boa Vista, a primeira escola a receber as atividades foi selecionada por critérios de vulnerabilidade social e localização em áreas com histórico de violações de direitos. A escolha considerou indicadores como taxa de denúncias, acesso a serviços públicos e perfil socioeconômico das famílias atendidas.
Os participantes recebem material didático específico sobre identificação de sinais de violência, procedimentos legais para notificação e canais de denúncia disponíveis no estado. O conteúdo aborda desde aspectos psicológicos até o funcionamento da rede de proteção estadual, incluindo Conselho Tutelar, Ministério Público e Delegacia da Criança e do Adolescente.
Metodologia e abrangência.
A metodologia do Projeto Educar é Prevenir combina palestras, oficinas práticas e distribuição de cartilhas educativas. As atividades são conduzidas por equipes multidisciplinares com formação em direito, psicologia, assistência social e pedagogia.
Um dos eixos centrais é a discussão sobre os tipos de violência, incluindo física, psicológica, sexual e negligência. Os facilitadores apresentam dados sobre a realidade roraimense, contextualizando as estatísticas nacionais com a situação local em municípios como Boa Vista, Pacaraima e Bonfim.
Outro componente importante é o treinamento para utilização dos canais de denúncia, como o Disque 100 e os números dos conselhos tutelares regionais. Os participantes aprendem a preencher formulários de notificação e compreendem o fluxo de atendimento desde o registro até as medidas protetivas.
A formação também inclui módulos sobre comunicação não violenta, mediação de conflitos e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Essas ferramentas visam melhorar o clima escolar e criar ambientes mais seguros para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.
Para as famílias, são oferecidas orientações sobre parentalidade positiva, reconhecimento de comportamentos de risco e fortalecimento dos vínculos familiares. O projeto reconhece que a prevenção da violência começa no ambiente doméstico e se estende para a comunidade.
Expansão para outras regiões.
Após a fase piloto na capital, o Projeto Educar é Prevenir deve ser expandido para outros municípios roraimenses. A previsão é que até o final do ano letivo mais cinco escolas em diferentes regiões do estado recebam a capacitação.
As próximas unidades serão selecionadas com base em critérios técnicos que consideram a densidade populacional, a distância dos centros urbanos e a disponibilidade de serviços de proteção. Municípios da fronteira, como Pacaraima e Bonfim, estão entre as prioridades devido às características migratórias e aos desafios específicos de proteção infantil nessas localidades.
O programa também prevê a criação de núcleos permanentes de prevenção nas escolas, com a formação de comitês internos que darão continuidade às ações após o término da capacitação inicial. Esses grupos serão responsáveis por monitorar casos suspeitos, promover campanhas educativas e manter o diálogo com as redes de proteção.
A iniciativa se alinha com políticas públicas estaduais já existentes, como o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte e as ações desenvolvidas pela Secretaria Estadual de Educação e Desporto. A integração entre diferentes órgãos busca otimizar recursos e evitar sobreposição de ações.
Dados do sistema de denúncias do estado mostram que nos últimos três anos foram registrados mais de mil casos de violência contra crianças e adolescentes em Roraima. As formas mais comuns incluem negligência, violência psicológica e abuso sexual, com maior incidência na faixa etária entre 7 e 14 anos.
Especialistas em proteção infantil destacam que escolas representam espaços estratégicos para identificação precoce de situações de violência, já que professores e funcionários têm contato diário com os estudantes e podem perceber mudanças de comportamento, marcas físicas ou relatos indiretos.
O Projeto Educar é Prevenir surge como resposta a essa necessidade, oferecendo ferramentas concretas para que educadores possam atuar como agentes de proteção. A expectativa é que a iniciativa contribua para aumentar o número de denúncias qualificadas e reduzir a subnotificação de casos no estado.
Além da capacitação presencial, o programa desenvolve materiais digitais que ficarão disponíveis para todas as escolas da rede pública estadual. O conteúdo inclui vídeos educativos, manuais para professores e guias para famílias, adaptados à realidade cultural e social de Roraima.
A continuidade do projeto depende de parcerias com organizações da sociedade civil e recursos do orçamento estadual. Representantes da Assembleia Legislativa afirmam que trabalham para garantir a sustentabilidade financeira da iniciativa nos próximos anos, com previsão de inclusão no plano plurianual do estado.
Para a comunidade escolar, a chegada do programa representa um reforço na luta contra a violência infantil. Professores relatam que muitas vezes se sentem despreparados para lidar com situações complexas de abuso e exploração, necessitando de orientação técnica e suporte institucional.
O sucesso da experiência piloto em Boa Vista será avaliado por indicadores como número de denúncias realizadas, satisfação dos participantes e mudanças perceptíveis no ambiente escolar. Os resultados orientarão os ajustes necessários antes da expansão para outras regiões do estado.
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