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Roraima registrou 18.252 crianças com excesso de peso na faixa etária de 0 a 9 anos em 2025, conforme dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). O número representa 29% das crianças avaliadas no estado, o equivalente a 29 em cada 100, segundo o Ministério da Saúde.

No Brasil, o cenário é igualmente preocupante. O país contabilizou 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade grave no mesmo período. Isso significa que 8,94% das crianças de 0 a 9 anos apresentaram obesidade, e 5,97% obesidade grave, totalizando cerca de 1,1 milhão de casos.

A pediatra Mariana Grigoletto, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), alerta que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um desafio para a saúde pública. Ela ressalta que o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na vida adulta, reforçando a importância da prevenção e do acompanhamento precoce.

A especialista também destacou que, embora a maioria das crianças (62,80%) apresente peso adequado, aproximadamente 37% mostram algum grau de alteração nutricional. As principais consequências incluem o aumento do risco para diabetes tipo 2, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e impactos psicológicos como baixa autoestima e maior exposição ao bullying.

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Para prevenir a obesidade infantil, a médica enfatiza a necessidade de acompanhamento pediátrico desde cedo. Grigoletto recomenda a adoção de hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada com maior consumo de frutas, legumes e verduras, e a diminuição de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. A prática regular de atividades físicas e a limitação do tempo em frente às telas também são cruciais.

Grigoletto complementa que, apesar da influência da predisposição genética, os hábitos de vida e o ambiente infantil desempenham papel fundamental na prevenção e controle da obesidade. Ela observa que a obesidade infantil raramente ocorre de forma isolada, estando diretamente ligada à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive.

As alterações no padrão alimentar infantil têm refletido nos indicadores de saúde. O SISVAN aponta um consumo crescente de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, intensificando hábitos alimentares não saudáveis ao longo da infância. A pediatra finaliza que pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos de vida, podem gerar um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança.

Alerta global

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio do Atlas Global da Obesidade, projeta que o Brasil pode se tornar o 5º país com mais crianças e adolescentes obesos até 2030. O estudo aponta que as chances de reverter esse quadro são de apenas 2% se ações concretas não forem tomadas.

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