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O planejamento da merenda escolar em Boa Vista envolve diversas etapas, desde a criação de cardápios até a avaliação do desenvolvimento dos 54 mil alunos da Rede Municipal de Ensino. A iniciativa, que busca garantir uma alimentação adequada para o aprendizado e desenvolvimento dos estudantes, é coordenada por nutricionistas e envolve ações de educação alimentar e nutricional.
O trabalho vai além da elaboração das refeições. Inclui visitas às escolas, capacitação de merendeiras, acompanhamento nutricional das crianças e análise da aceitação dos pratos. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) também orienta os processos de aquisição de alimentos e o relacionamento com fornecedores.
Do planejamento ao prato
Elizabeth Gomes, nutricionista responsável técnica pelo PNAE no município, detalha que o processo se inicia com o planejamento dos cardápios, mas se estende por toda a execução nas unidades de ensino.
"Além de planejar e executar os cardápios, acompanhamos as escolas, fazemos capacitações com as merendeiras, educação nutricional, avaliação do estado nutricional das crianças e os testes de aceitabilidade. São atividades que se relacionam e nos ajudam a entender o perfil dos nossos alunos e pensar estratégias de acordo com cada realidade", explicou.
Desde 2026, o cardápio das escolas de Boa Vista foi reformulado com novas preparações, como feijoadinha com arroz brasileirinho, arroz de horta, salpicão de frango, cuscuz nordestino e feijão tropeiro. O planejamento considera as necessidades nutricionais e faixas etárias, especialmente para alunos em tempo integral, que realizam quatro refeições diárias.
Acompanhamento que ajuda a direcionar ações
A avaliação do desenvolvimento dos estudantes é realizada semestralmente por meio de aferição de peso e altura, o que permite identificar questões como excesso de peso, obesidade e déficit nutricional. As ações também abordam o consumo de alimentos in natura e a redução de ultraprocessados.
George Barros explica que os dados coletados auxiliam no direcionamento de estratégias.
"A avaliação nutricional é essencial para observarmos nossas crianças. Aferimos peso e altura e, a partir dos resultados, conseguimos traçar planejamentos. Se identificamos, por exemplo, um percentual maior de obesidade em determinada escola, podemos direcionar as ações de educação nutricional para aquela realidade", disse.
Crianças também participam das escolhas
Para que uma refeição seja incluída no cardápio, além de atender às necessidades nutricionais, é fundamental que seja bem aceita pelos alunos. O teste de aceitabilidade, ferramenta do PNAE, avalia novas receitas com uma amostra de estudantes. Letícia Bueno coordena o trabalho e afirma que o momento permite ouvir diretamente as crianças. Precisamos que elas se alimentem e, para isso, precisam aceitar bem o alimento. A opinião delas é muito importante. Além de avaliar, aproveitamos esse momento para conversar sobre o cardápio, saber o que gostam mais e o que gostam menos, contou.
Novas preparações, como a feijoadinha, estão passando por esse processo de avaliação e já obtiveram boa aceitação. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) estabelece que 52% do volume dos alimentos deve ser composto por hortifrúti.
Hábitos que podem acompanhar a criança por toda a vida
A educação alimentar e nutricional é promovida por meio de brincadeiras, dinâmicas e palestras, adaptadas à idade dos alunos. O objetivo é incentivar escolhas saudáveis e construir uma relação positiva com a alimentação, que pode refletir na vida adulta.
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