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O Governo de Roraima e o Ministério da Saúde iniciaram nesta terça-feira (15/10) uma agenda técnica em Boa Vista para preparar a rede estadual de saúde para os possíveis impactos da estiagem e do fenômeno El Niño. A programação, que segue até quarta-feira (16/10), visa a elaboração de um plano de ação conjunto para amenizar as consequências do período.
Durante os dois dias de reuniões, as equipes apresentam o cenário atual do Estado, as medidas já adotadas e as possibilidades de apoio do Governo Federal. A agenda também prevê a definição de estratégias e de uma matriz de responsabilidades para o enfrentamento da crise hídrica.
A preparação ocorre após o Governo de Roraima decretar, em 2 de setembro, situação de emergência em razão da estiagem, classificada como desastre de nível 2, com vigência de 180 dias. Projeções climáticas indicam a permanência do El Niño até o início de 2027, com possibilidade de intensidade muito forte, o que pode intensificar a redução das chuvas, elevar as temperaturas e aumentar o risco de incêndios florestais.
O secretário adjunto de Saúde, Manuel Roque, explicou que a agenda permite avaliar a capacidade de resposta do Estado e identificar áreas que necessitam de apoio federal.
As equipes também avaliam a estrutura disponível na rede estadual para responder a possíveis situações de emergência.
"Hoje aqui na CGVS nós estamos reunidos para conseguir alinhar e verificar todo o nosso potencial de resposta enquanto Estado e o que não conseguirmos atender, o Ministério entra com todo esse apoio", disse um porta-voz não nomeado na fonte.
Plano de contingência prepara rede de saúde
A Secretaria de Saúde (Sesau) já trabalha na elaboração do plano estadual de enfrentamento ao El Niño. O documento está em fase de consolidação e aprovação pelo comitê e deverá orientar as ações diante de possíveis emergências relacionadas ao período de estiagem. A coordenadora-geral de Vigilância em Saúde, Valdirene Oliveira, explicou que o trabalho prevê acordos com o Ministério da Saúde para as medidas necessárias durante o período.
A preparação considera possíveis impactos como o aumento de doenças respiratórias problemas relacionados à água, arboviroses, queimaduras e casos de desidratação. A estratégia também prevê monitoramento epidemiológico, organização da logística de atendimento e disponibilidade de soro de reidratação oral nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Valdirene ressaltou que a antecipação das medidas permite deixar a rede preparada para possíveis situações de emergência.
Ministério avalia cenários e apoio ao Estado
A superintendente do Ministério da Saúde em Roraima, Andrea Maia, destacou que a agenda faz parte de uma mobilização nacional para preparar os estados para eventos climáticos extremos. Segundo ela, o El Niño pode provocar alterações importantes nas temperaturas e nos níveis dos rios, com reflexos sobre a população e os serviços públicos.
A situação dos rios também está entre os fatores de atenção durante o período de estiagem. Em 27 de agosto, o Rio Branco registrava 1,38 metro em Boa Vista, nível 70,3% abaixo da média histórica do mês. Até esta terça-feira, 15, o nível do Rio Branco na capital estava ainda mais baixo: 92 centímetros, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA).
O diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde, Ednilo Barreira, explicou que a visita foi organizada a partir do decreto de situação de emergência e do monitoramento realizado pelo Ministério em todo o país.
Segundo Ednilo, a equipe pretende aprofundar o diagnóstico da situação, identificar cenários de crise que podem ser agravados pelo El Niño e, a partir dessas informações, planejar ações em conjunto com a Secretaria de Saúde do Estado.
O Ministério também vai apoiar a finalização do plano estadual de enfrentamento ao El Niño. Após concluído, o documento será encaminhado ao Ministério da Saúde com as demandas de apoio necessárias ao Estado. Segundo Ednilo, as ações deverão ser incorporadas ao Adapta SUS, programa de adaptação às mudanças climáticas do Sistema Único de Saúde.
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