Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para a redação
O programa Empretec, iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), está capacitando refugiados em Boa Vista (RR) para fortalecer seus negócios e promover a estabilidade socioeconômica. A metodologia, executada no Brasil pelo Sebrae, foca no desenvolvimento de comportamentos empreendedores e já formou mais de dois milhões de pessoas globalmente.
Vanessa, refugiada venezuelana há quatro anos em Boa Vista, participa do Empretec para aprimorar seu empreendimento de arepas, um alimento tradicional de seu país de origem. Ela vê a iniciativa como uma forma de intercâmbio cultural e de reconstrução de vida no Brasil.
“Para mim foi uma experiencia incrível, daqui para frente, me considero uma pessoa nova. Consegui entender os desafios que posso ter que enfrentar e ter metas claras. O Empretec me trouxe muita clareza. Eu ganhei cinco selos de destaque no meu certificado porque pude entender muito bem quais são os comportamentos que um empreendedor precisa para ter sucesso. Quero consolidar meu negócio e posicionar para que seja sustentável”, comemora Vanessa.
Empreendedorismo como estratégia de inclusão
O empreendedorismo é apontado como uma das principais estratégias para que pessoas refugiadas gerem renda e alcancem autonomia no Brasil. Em Roraima, esses estabelecimentos não só geram receita e empregos, mas também se integram à cultura local. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) destaca a importância dessas iniciativas para a estabilização socioeconômica dos migrantes.
A turma formada em Boa Vista contou com 24 empreendedores, incluindo refugiados de diversas nacionalidades, indígenas e líderes de organizações de refugiados. Funcionários do ACNUR também participaram da formação, tornando-se "Empretecos", como são chamados os concluintes.
Josneida, colega de Vanessa, relatou o impacto transformador do curso.
"Pela primeira vez meu trabalho aumentou e, consequentemente, minha renda triplicou. Consegui quitar todas as minhas dívidas fixas. Sei que ainda há um longo caminho a percorrer, mas já comecei. Mudei vários hábitos prejudiciais relacionados à minha forma de trabalhar", celebra.
Um estudo da Innovare Pesquisa com a Plataforma Refugiados Empreendedores, uma iniciativa do ACNUR e do Pacto Global da ONU, Rede Brasil, indicou que 95% dos entrevistados residem no Brasil há mais de três anos. O perfil predominante é feminino (71%), com idade média de 40 anos, demonstrando mulheres com mais experiência e tempo de inclusão no país.
Joselin, outra participante do Empretec e empreendedora gastronômica, ressaltou a aplicabilidade do conhecimento adquirido. "A gente leva muita informação para aplicar no nosso negócio. Vou aplicar todo o conhecimento daqui"
, planeja.
George Messias da Silva, profissional de TI do ACNUR, acompanhou a turma e celebrou o progresso dos participantes.
"Fiz o Empretec junto com as pessoas refugiadas. É muito bom ver o quanto estão correndo atrás, buscando aprender, progredir e usando o Empretec como meio de sair desta situação. É maravilhoso e gratificante ver o tanto que eles se empolgam, o tanto que aprenderam e como conseguimos trabalhar juntos aqui dentro", conta.
Comentários (0)
Entre na sua conta para comentar.
EntrarCarregando comentários…














