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O senador Dr. Hiran (PP-RR) defendeu, nesta sábado (11/7), a inclusão de consultas oftalmológicas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) como medida para ampliar o acesso ao atendimento especializado e prevenir a cegueira evitável no Brasil. A proposta foi apresentada durante debate na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.

O parlamentar, que é médico oftalmologista, argumentou que a presença de especialistas na atenção básica facilitaria a identificação precoce de problemas oculares, especialmente em municípios e comunidades remotas.

"A gente precisa colocar a oftalmologia nos núcleos de saúde da família. Eu não vejo razão para a oftalmologia estar na média e alta complexidade, quando a gente precisa dar acesso às pessoas nos rincões deste país, onde, às vezes, a gente não tem um hospital, mas a gente tem uma UBS", afirmou.

O debate na CAS ocorreu diante da projeção de crescimento de casos de perda de visão no país. Um estudo da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) estima que mais de 28 milhões de brasileiros poderão sofrer algum tipo de perda visual até 2030.

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Especialistas defenderam na audiência que a prevenção se inicie na infância, com diagnóstico precoce. Camila Carloni Gasparro, representante do Ministério da Saúde, destacou a importância do teste do olhinho, realizado em recém-nascidos.

"Nas maternidades hoje, um dos testes que é realizado é exatamente o teste do olhinho. É um exame feito no recém-nascido, nos primeiros dias de vida, com o intuito de fazer a detecção precoce e tratar, se for necessário, o mais rápido possível essas crianças", explicou.

A desigualdade no acesso a serviços de saúde ocular foi outro ponto levantado. Victor Pavarino, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) apontou que milhões de pessoas não têm acesso a procedimentos básicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), duas em cada três pessoas que precisam de óculos em países de baixa renda não os obtêm, e metade das pessoas que necessitam de cirurgia de catarata no mundo não tem acesso ao procedimento.

Mauro Goldbaum, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, também defendeu medidas para agilizar o diagnóstico e tratamento de doenças como catarata e glaucoma. Comunidades indígenas enfrentam dificuldades específicas, como relatou Ewésh Yawalapiti Waura, da Terra Indígena do Xingu, que pediu políticas públicas permanentes de saúde ocular.

O debate integra a preparação para a Cúpula da Saúde Ocular, prevista para novembro em Antígua e Barbuda, no Caribe, que discutirá estratégias para ampliar o acesso aos cuidados oftalmológicos.

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