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Mais de 70% dos gestores de escolas públicas enfrentam dificuldades para dialogar sobre o enfrentamento a violências como bullying, racismo e capacitismo no ambiente escolar. É o que revela uma pesquisa sobre clima escolar realizada com 136 diretores e coordenadores de 105 unidades de ensino em dez estados brasileiros.

O estudo, conduzido por uma fundação de pesquisa educacional, aponta que lidar com essas situações é uma questão complexa que demanda preparo, apoio e ações bem planejadas. Uma das principais barreiras identificadas é a naturalização da violência por parte de adultos dentro das escolas.

Naturalização da violência preocupa especialistas

O coordenador da pesquisa, Adriano Moro, destaca que em muitos casos as agressões são vistas como simples "brincadeiras" por educadores e funcionários.

"Isso diminui a gravidade das situações e pode levar à omissão, justamente quando os estudantes mais precisam de apoio e intervenção"

, alerta o especialista.

Moro contextualiza que muitas escolas estão inseridas em territórios marcados por violência externa, o que agrava o desafio. Além disso, há dificuldades em envolver famílias e comunidade, aumentando a pressão sobre a instituição de ensino para lidar sozinha com esses problemas.

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Bullying mascara outras formas de discriminação

Outro ponto crítico apontado pela pesquisa é o uso genérico do termo bullying, que pode esconder problemas específicos como racismo, capacitismo, xenofobia ou violência de gênero. "É um fenômeno com suas especificidades, é uma violência grave, precisa de atenção", ressalta Moro.

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O estudo define bullying como uma forma de violência física ou psicológica, geralmente repetitiva, que causa danos físicos, sociais e emocionais às vítimas através de xingamentos, apelidos pejorativos, intimidação, humilhação ou discriminação.

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Escolas carecem de diagnóstico e equipes especializadas

A pesquisa revela dados preocupantes sobre a estrutura das escolas para enfrentar esses desafios. Mais da metade das unidades (54,8%) nunca realizaram um diagnóstico estruturado do clima escolar, etapa considerada essencial para orientar políticas de convivência.

Embora 67,6% das escolas possuam equipes responsáveis por ações de melhoria do clima, em 32,4% dos casos essas iniciativas ficam sob responsabilidade direta da gestão, que muitas vezes enfrenta sobrecarga de trabalho.

"A gestão escolar costuma lidar com muitas urgências ao mesmo tempo", observa Moro.

"Dessa forma, as equipes atuam mais para resolver problemas imediatos do que para preveni-los de forma planejada."

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Clima escolar influencia diretamente no aprendizado

O pesquisador classifica como "muito forte" a relação entre clima escolar positivo e desempenho pedagógico. O ambiente nas escolas influencia tanto o bem-estar das pessoas quanto o processo de ensinar e aprender.

"Para que a aprendizagem aconteça com qualidade e equidade, é fundamental que os estudantes se sintam acolhidos", defende Moro.

"Quando os estudantes se sentem respeitados e não têm medo de errar, eles aprendem melhor e desenvolvem suas habilidades com mais confiança."

O estudo foi realizado entre março e julho de 2025 em escolas dos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo.

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