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Uma pesquisa da Universidade Federal do Pará (Ufpa), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), explora a biodiversidade amazônica para o tratamento oncológico. O estudo investiga a eficácia dos óleos essenciais de cipó-alho e canela no combate a células cancerígenas.
A estudante de biomedicina Viviane Santos, sob orientação da professora Ingryd Ramos, lidera a pesquisa. O objetivo é superar um dos maiores desafios dos tratamentos atuais: a falta de seletividade. Terapias convencionais, como a quimioterapia, muitas vezes não diferenciam as células doentes das saudáveis, o que gera efeitos colaterais severos aos pacientes.
A escolha da canela e do cipó-alho não foi aleatória. O Laboratório de Citogenética Humana e o Núcleo de Pesquisas em Oncologia (NPO-Ufpa) realizam triagens contínuas com produtos naturais.
Resultados e próximos passos
Os testes iniciais, realizados in vitro, utilizaram linhagens de células tumorais de melanoma, pulmão e, com especial atenção, as de câncer gástrico. A escolha do câncer gástrico reflete sua alta incidência na região Norte do Brasil. Algumas das linhagens foram estabelecidas a partir de tumores de pacientes locais.
Os resultados mostraram que a linhagem de câncer gástrico foi cerca de cinco vezes mais sensível ao óleo essencial de canela do que as células saudáveis. O cipó-alho demonstrou forte potencial citotóxico contra múltiplas linhagens tumorais, reduzindo a viabilidade celular mesmo em baixas concentrações.
A pesquisa também revelou um padrão de morte celular por necrose, em vez da apoptose comum. A equipe levanta a hipótese de "necroptose", uma forma de necrose programada que pode contornar a resistência de tumores a tratamentos. Apesar dos avanços, o estudo segue em fase de base, com planos para análises moleculares e testes in vivo.
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