Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para a redação
Roraima registrou 6.548 casos de hepatites virais e 194 mortes entre 2000 e 2024. A hepatite A lidera as notificações no estado, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, segundo dados do Ministério da Saúde. No Brasil, mais de 826 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença no mesmo período.
A hepatite viral é uma infecção silenciosa que pode comprometer o fígado por anos sem apresentar sintomas. A doença pode evoluir para cirrose, câncer hepático e, em casos graves, necessitar de transplante. O diagnóstico tardio é um dos principais desafios, ocorrendo geralmente quando a doença já está em estágio avançado.
No país, a hepatite C é a mais notificada, com 342.328 casos (41,5%), seguida pela hepatite B, com 302.351 (36,6%). A hepatite A aparece em terceiro lugar, com 174.977 casos (21,2%). As hepatites D e E representam menos de 1% dos registros. As hepatites B e C são as maiores preocupações por poderem se tornar crônicas e evoluir silenciosamente.
Hepatites virais em Roraima
No Estado de Roraima, o cenário é semelhante, com 6.548 casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. Desses, 194 evoluíram para óbito. A hepatite A lidera as notificações estaduais, evidenciando a importância de estratégias para a identificação precoce.
Para combater o subdiagnóstico, o Ministério da Saúde tem intensificado a distribuição de testes rápidos. Roraima recebeu 48.650 testes para hepatite C até maio de 2026, visando aumentar a identificação de casos.
“O aumento na distribuição de testes rápidos é um passo decisivo para mudar esse cenário. Quanto mais pessoas puderem fazer o exame, maiores serão as chances de descobrir a infecção antes que o fígado apresente danos irreversíveis. É importante que a população saiba que o teste está disponível gratuitamente no SUS. E caso a pessoa sinta qualquer um destes sintomas, como fadiga, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes claras, deve procurar um médico. O diagnóstico precoce ajuda na cura”, afirma a infectologista e consultora para Organização Nacional de Acreditação (ONA) Cláudia Vidal.
A transmissão das hepatites varia conforme o tipo de vírus. A hepatite A é comumente transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados, especialmente em áreas com saneamento básico precário. Já as hepatites B e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue infectado, relações sexuais desprotegidas e de mãe para filho. A hepatite C, por sua vez, é disseminada principalmente pelo contato com sangue contaminado, como ao compartilhar seringas, agulhas, lâminas de barbear e alicates de unha, ou ao usar materiais não esterilizados em tatuagens e piercings.
A especialista ressalta que medidas simples de prevenção podem reduzir significativamente a incidência da doença.
Desafio global
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o desafio das hepatites virais é global. Segundo o Global Hepatitis Report 2026, cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em decorrência das hepatites B e C, que juntas são responsáveis por mais de 95% dos óbitos relacionados às hepatites virais em todo o mundo. A OMS alerta que o ritmo atual de combate a essas doenças é insuficiente para atingir a meta de eliminação como problema de saúde pública até 2030.
Comentários (0)
Entre na sua conta para comentar.
EntrarCarregando comentários…














