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A pavimentação da rodovia entre Lethem e Georgetown, na Guiana, promete transformar o escoamento de cargas de Roraima para o oceano Atlântico. Representantes do setor produtivo estimam que a nova rota possa reduzir em até oito dias o tempo de transporte de grãos, fertilizantes e outros produtos, com potencial de desafogar o trajeto atual até o Canal do Panamá.

Um grupo de cerca de 20 empresários brasileiros, organizado pela Associação dos Produtores de Soja de Roraima (Aprosoja) visitou a Guiana para avaliar oportunidades comerciais. A comitiva reuniu nomes do agronegócio, transporte e comércio de máquinas agrícolas.

A rodovia, com extensão de aproximadamente 680 quilômetros entre a fronteira brasileira e Georgetown, tem cerca de um terço de sua extensão já pavimentado. Os 450 quilômetros restantes são de terra e apresentam desafios de tráfego, especialmente durante o período chuvoso.

Um trecho de 120 quilômetros está em fase final de conclusão pela construtora brasileira Ayala. Outros lotes da obra ainda aguardam processos de licitação.

Atualmente, parte das cargas de Roraima segue para Manaus e, de lá, é transportada por via fluvial. Com a estrada concluída, os produtos poderão ir de caminhão até Georgetown e serem embarcados para destinos internacionais.

O secretário de Atração de Investimentos de Roraima, Aluizio Nascimento da Silva, estima que uma carreta poderá completar o trajeto entre Boa Vista e o litoral da Guiana em cerca de 12 horas. A rota poderá ser usada tanto para exportação de soja e milho quanto para importação de fertilizantes. A projeção é que até um terço das cargas que hoje passam por Manaus migrem para a Guiana.

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As estimativas de redução de tempo e custos foram apresentadas por empresários e representantes públicos durante a visita. A viabilização depende da conclusão da estrada, da estrutura dos portos e da regulamentação do transporte internacional.

Integração logística depende de acordo bilateral

A integração logística entre Brasil e Guiana ainda enfrenta um obstáculo: a ausência de um tratado que permita a circulação direta de caminhões entre os dois países. Veículos brasileiros não podem circular em território guianense, e vice-versa, exigindo a transferência de mercadorias na fronteira.

Os dois países discutem um acordo para regulamentar o transporte rodoviário internacional, mas ainda não há previsão para o fim das negociações.

O comércio entre Roraima e Guiana tem crescido. Dados da Secretaria de Atração de Investimentos indicam que as exportações roraimenses para o país vizinho saltaram de cerca de US$ 600 mil anuais até 2019 para aproximadamente US$ 50 milhões anuais. Alimentos, materiais de construção, máquinas e equipamentos estão entre os produtos comercializados.

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Petróleo financia obras na Guiana

Os investimentos em infraestrutura na Guiana foram impulsionados pela descoberta de vastas reservas de petróleo pela ExxonMobil em 2015, estimadas em 12 bilhões de barris. O país, com cerca de 800 mil habitantes, produziu aproximadamente 900 mil barris por dia em 2025, segundo dados apresentados à comitiva brasileira.

Parte das receitas da exploração de petróleo tem sido destinada a obras públicas e a um fundo soberano. A conclusão da rodovia, contudo, ainda dependerá da execução de novos lotes e da continuidade dos investimentos.

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