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Mais da metade dos pacientes que buscaram o Pronto Atendimento Cosme e Silva nos primeiros quatro meses de 2026 apresentavam condições de saúde que poderiam ser resolvidas em Unidades Básicas de Saúde. A unidade, referência para urgência e emergência na zona Oeste de Boa Vista, realizou 67.721 atendimentos e procedimentos entre janeiro e abril, sendo que 37.602 casos, equivalentes a 55,5% do total, foram classificados como de baixa complexidade.

Essa procura por situações não urgentes sobrecarrega a estrutura do Pronto Atendimento Cosme e Silva, que atende pacientes da capital e do interior de Roraima, além de integrar o fluxo de retaguarda hospitalar da rede estadual de saúde. A direção da unidade alerta que o aumento da demanda interfere diretamente no cuidado oferecido a casos graves, uma vez que todos os pacientes passam inicialmente pela triagem e avaliação das equipes multiprofissionais.

A diretora do Pronto Atendimento Cosme e Silva, Dra. Moema Gonçalves Farias, explicou o impacto dessa dinâmica.

"Quando um paciente vem à unidade e ele deveria estar numa UBS, isso interfere no atendimento do paciente que está grave, porque ele tem que passar por uma triagem que todos que chegam à unidade passam. Então, o paciente que poderia estar numa UBS, ele está interferindo no atendimento de um infarto, de um AVC", afirmou.

Serviços oferecidos pela unidade.

Localizado na rua Delman Veras, no bairro Pintolândia, o Pronto Atendimento Cosme e Silva dispõe de uma estrutura que inclui raio-x, eletrocardiograma, sala de vacinação, sala de sutura, sala de gesso com avaliação ortopédica e atendimento para diagnóstico de malária. O serviço conta com médicos clínicos gerais, ortopedistas, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas e equipe de enfermagem preparada para casos específicos.

Entre as situações atendidas estão dor no peito, picos de pressão alta, glicemia elevada, traumas, acidentes de trânsito, febres altas e convulsões. A unidade mantém uma sala de estabilização onde os pacientes podem permanecer em observação por até 24 horas antes de serem transferidos para hospitais de retaguarda, além de uma sala de procedimentos destinada à realização de drenagens de abscessos.

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Embora não seja referência para realização de curativos, serviço exclusivo das UBSs, o Pronto Atendimento Cosme e Silva implantou esse atendimento para suprir a demanda de usuários do SUS que buscam alívio da dor. A medida reflete a pressão sobre os serviços de emergência diante de necessidades que poderiam ser resolvidas na atenção primária.

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Classificação de risco e fluxo de atendimento.

Após o cadastro na recepção, os pacientes passam pela triagem, onde recebem classificação de risco conforme a gravidade do quadro clínico. Os casos classificados com as cores verde e azul são considerados de menor gravidade e incluem situações como dores leves, torcicolo, enxaqueca, febre sem alteração dos sinais vitais, resfriados, viroses, náuseas, tonturas, hemorragias controladas e crises asmáticas sem gravidade.

As classificações amarela e laranja indicam urgência moderada, abrangendo pacientes com desmaios, dores moderadas, vômitos intensos, crises de pânico, hemorragias moderadas, picos hipertensivos e alterações nos sinais vitais. Os casos mais graves recebem classificação vermelha e necessitam de atendimento imediato.

Entre as condições que demandam intervenção urgente estão queimaduras em mais de 25% do corpo, problemas respiratórios, dor no peito associada à falta de ar, crises convulsivas, trauma cranioencefálico, tentativa de suicídio, parada cardiorrespiratória e hemorragias incontroláveis. Essa estrutura de classificação busca priorizar os recursos da unidade para situações que realmente exigem cuidados de emergência.

A sobrecarga no Pronto Atendimento Cosme e Silva reflete um desafio mais amplo na organização do Sistema Único de Saúde em Roraima, estado que possui 15 municípios e fronteira com Venezuela e Guiana. A capital Boa Vista concentra serviços de referência que atendem também a população do interior, o que intensifica a pressão sobre as unidades de urgência.

A diretora Moema Gonçalves Farias reforça a importância de que a população compreenda o papel das UBSs no primeiro nível de atenção.

"O fluxo estabelecido pelo SUS prevê que casos de baixa complexidade sejam resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde, liberando as emergências para situações que realmente demandam sua estrutura especializada", destacou.

A orientação é que moradores busquem as UBSs para questões como curativos, acompanhamento de condições crônicas e atendimentos de rotina.

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