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No Dia do Amigo, a ciência revela que a lealdade interespécie é um fenômeno neurobiológico. O convívio com animais de estimação ativa a produção de ocitocina, hormônio ligado ao bem-estar e ao vínculo social, enquanto reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Em um cenário de alta ansiedade e esgotamento profissional, pets assumem papel de suporte emocional, impactando dinâmicas familiares, planejamento urbano e a economia.
O mercado pet brasileiro faturou R$ 77,96 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e o Instituto Pet Brasil. A projeção de crescimento para 2026 é de 9,6%, superando a marca de R$ 80 bilhões. O país conta com 160,9 milhões de animais de estimação, com uma média de 1,6 pet por residência, consolidando-se como o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.
“A base dessa conexão e do consequente reflexo no mercado está na neurobiologia. A interação com os pets, como o contato visual e o carinho, ativa o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de ocitocina na corrente sanguínea. Esse hormônio regula o estresse e sinaliza para o organismo interromper a produção excessiva de cortisol. O resultado prático é a sensação imediata de acolhimento, redução dos batimentos cardíacos e relaxamento muscular”, explica Patrícia Campos, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UniCesumar de Maringá (PR).
A resposta fisiológica é recíproca: durante interações positivas, os níveis de ocitocina também sobem no organismo do animal, enquanto o cortisol diminui.
“Esse espelhamento hormonal demonstra que os pets experimentam um estado neurobiológico de bem-estar, segurança e apego muito semelhante ao nosso. Interações focadas de 15 a 30 minutos diários, como momentos de escovação, brincadeiras com estímulo mental e passeios estruturados, são suficientes para ativar esses benefícios em ambos, exigindo apenas consistência e atenção plena do tutor”, complementa Campos.
Suporte emocional em cenários de ansiedade
O papel do animal como regulador emocional difere das relações humanas. Pets oferecem presença e afeto incondicional, ancorando o tutor no momento presente e quebrando o ciclo de pensamentos negativos em quadros de ansiedade extrema. A proximidade também alterou a divisão de espaços nas residências.
Do ponto de vista da Medicina Veterinária, dormir no mesmo ambiente que o tutor fortalece a imunidade e reduz a pressão arterial humana. Contudo, Patrícia Campos alerta para a necessidade de parâmetros:
“O limite saudável reside em evitar a antropomorfização (tratar o animal como humano) e o apego excessivo, que podem desencadear a Ansiedade de Separação (SDA) e agressividade. O pet precisa de espaço para manifestar os comportamentos naturais de sua espécie, mantendo uma rotina clara e limites definidos”
Adaptação urbana e qualidade de vida
A mudança estrutural das famílias impactou o planejamento urbano, com a explosão de espaços pet-friendly.
“O ambiente urbano, no entanto, exige precauções. Nem todo pet é sociável ou se sente confortável em locais barulhentos e com grande fluxo de pessoas, o que pode causar estresse crônico. O tutor deve conhecer o temperamento do seu animal, respeitar os sinais de desconforto e garantir que o local ofereça segurança, higiene e áreas de descanso”, orienta a professora da UniCesumar.
A qualidade de vida dos pets registrou um avanço histórico, com foco no bem-estar integral, nutrição de alta precisão, medicina veterinária preventiva e conscientização sobre saúde mental animal, garantindo longevidade e respeito à senciência.
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