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A discussão, realizada nesta sexta-feira (31/7) reuniu mulheres para debater os impactos da ausência paterna na estrutura familiar.
A mediadora Isabela Bastos ressaltou que a maternidade solo é uma realidade que vai além de estatísticas. Dados do IBGE indicam que mais de 11 milhões de brasileiras criam seus filhos sozinhas, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste. Em Roraima, aproximadamente 15% dos lares são chefiados por mães solo.
Impactos emocionais e sociais
A psicóloga Geórgia Moura, uma das convidadas, destacou que Roraima figura entre os estados com maior proporção de mães solo. Segundo ela, essas mulheres não optam por essa condição, mas são levadas a ela por circunstâncias. Entre as consequências emocionais estão alterações de humor, insônia e irritabilidade.
Ela também mencionou o “burnout materno”, esgotamento físico e emocional comum nessas situações, e defendeu que o apoio social poderia gerar uma sociedade mais saudável.
Combate ao abandono paterno
A juíza Suelen Márcia Alves, titular do 1º Juizado Especializado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e a assistente social da Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR), Adilma Melo, também participaram do debate. Suelen Márcia Alves apresentou dados preliminares de sua pesquisa de mestrado pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), indicando que Roraima lidera o ranking nacional de crianças registradas apenas com o nome da mãe.
Adilma Melo, que atua no projeto ‘Meu Pai Tem Nome’, relatou que o trabalho da Defensoria Pública envolve o acompanhamento psicossocial das mães.
“Elas chegam e, no decorrer do atendimento, o defensor percebe que vai além da questão jurídica. Ele nota uma mãe chorando e muito desgastada. Então, eles encaminham essa mãe para o nosso centro para fazermos uma avaliação e tentar mediar uma conversa dessa assistida com o pai do seu filho, para que haja uma diminuição dessa sobrecarga”, detalhou.
Em 2025, cerca de 1,4 mil crianças foram registradas sem o nome do pai em Roraima. Clara Roberta Cesário, assistente do projeto do Instituto Hermanitos, falou sobre o trabalho com mulheres imigrantes, que inclui capacitações em empreendedorismo na área de gastronomia.
O projeto do Instituto Hermanitos, segundo Clara, oferece cursos de culinária brasileira e de origem de seus países, além de marketing social e educação financeira, visando a autonomia e a geração de renda para as 50 mulheres atendidas.
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