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O Governo de Roraima e o setor produtivo uniram forças para mitigar os efeitos do El Niño. Foi assinado nesta quarta-feira (2/9) o decreto que institui o Gabinete Integrado da Operação El Niño 2026-2027, com o objetivo de coordenar ações de prevenção e resposta à estiagem, incêndios florestais e crise hídrica.
A nova estrutura extraordinária integrará secretarias e órgãos estaduais, além de representantes do setor produtivo, para planejar e executar medidas de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. A iniciativa reforça o planejamento do governo, que já vinha se antecipando aos alertas de órgãos de monitoramento climático.
As prioridades incluem o combate a incêndios florestais, o enfrentamento da escassez hídrica e o suporte técnico e logístico aos produtores rurais. O Governo também intensificou ações preventivas no campo, com orientações sobre manejo do fogo, manutenção de aceiros e acompanhamento das condições climáticas.
Equipes do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater) realizam visitas técnicas em propriedades rurais e áreas de risco, enquanto órgãos ambientais e de segurança reforçam a fiscalização e orientação sobre queimadas. O presidente do Iater, José Vicente, destacou que o cenário climático já causa perdas superiores a 40% na produção agropecuária do estado.
O Iater também atua na assistência técnica relacionada ao manejo de grãos e produção de silagem.
Combate a incêndios e crise hídrica
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima, coronel Anderson Carvalho de Matos, ressaltou que a preparação para o período crítico começou em julho.
“Estamos preparados para atuar de forma integrada, principalmente na prevenção e no combate às queimadas e no enfrentamento da crise hídrica. O objetivo é oferecer assistência técnica e logística à população e aos produtores rurais”, explicou.
As ações previstas incluem disponibilização de maquinário, escavação de bebedouros, apoio à gestão de queimadas controladas e reforço nas operações de combate e prevenção a incêndios florestais. O presidente da Aprosoja, Murilo Ferrari, avaliou positivamente a criação do gabinete integrado, destacando os prejuízos em lavouras de soja e milho.
Para o setor, a prevenção a incêndios é prioridade, pois as lavouras fragilizadas pela estiagem ficam mais suscetíveis ao fogo. Representantes do setor produtivo destacaram a importância da parceria com o Governo do Estado. André Prado, representante da Coopercarne, informou que a produção de soja já registra perdas de 40% a 50%.
Prado também ressaltou a importância do 1º Seminário de Mudanças Climáticas, promovido pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), que ampliou a discussão sobre os efeitos da estiagem e dos riscos ao abastecimento de água.
“O nível atual do Rio Branco mostra que estamos diante de uma anomalia climática severa. Este é um momento de planejamento e união de forças”, pontuou.
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