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O diagnóstico precoce do câncer de boca continua sendo um desafio em Roraima, seguindo o padrão nacional de casos que chegam aos serviços de saúde já em estágios avançados. A doença, que tem no tabagismo e no consumo de álcool seus principais fatores de risco, apresenta chances de cura que podem atingir 80% quando descoberta no início, mas a realidade mostra que a maioria dos pacientes é atendida quando o tratamento se torna mais difícil e as sequelas mais prováveis.

Em Roraima, estado fronteiriço com Venezuela e Guiana, a dificuldade de acesso a serviços especializados agrava o cenário. A professora Brunna Serrão, coordenadora do curso de Odontologia da Estácio, destaca que os sinais iniciais costumam ser silenciosos e muitas vezes confundidos com problemas simples como aftas, o que retarda a busca por atendimento adequado.

Fatores de risco e prevenção.

O tabagismo se mantém como o principal fator de risco isolado para o desenvolvimento do câncer de boca. Quando associado ao consumo de bebidas alcoólicas, o potencial para o surgimento da doença cresce de forma significativa. Estima-se que grande parte dos casos esteja relacionada diretamente a esses hábitos.

Outros elementos também podem contribuir para o aparecimento da doença, incluindo infecção por HPV, exposição solar sem proteção nos lábios, má higiene bucal, uso de próteses dentárias mal adaptadas e alimentação pobre em frutas e vegetais. O HPV, especialmente os tipos 16 e 18, tem sido apontado como responsável pelo aumento de casos em pessoas mais jovens, muitas vezes sem histórico de tabagismo ou consumo de álcool.

"Após infectar as células da boca e da garganta, o HPV pode provocar alterações que favorecem o surgimento de tumores. Essa associação tem sido observada principalmente em casos que envolvem a garganta e a orofaringe", HPV.

A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, incluindo sexo oral, o que reforça a importância da vacinação contra o HPV e do uso de preservativos como medidas preventivas.

Clerlânio Holanda é eleito vice-presidente regional Norte da CBIC.

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Sinais de alerta e autoexame.

Uma dúvida comum entre a população é saber quando uma ferida na boca pode representar algo mais grave. Enquanto a afta comum costuma doer, dura pouco tempo e geralmente cicatriza em até 14 dias, uma lesão suspeita de câncer apresenta características distintas.

Lesões preocupantes normalmente não cicatrizam após duas semanas, podem apresentar áreas esbranquiçadas ou avermelhadas, endurecimento, sangramento, aumento de volume ou dificuldade para falar e engolir. Muitas dessas alterações não causam dor no início, o que pode enganar o paciente e postergar a procura por avaliação profissional.

O autoexame da boca é um procedimento simples que pode ser realizado em frente ao espelho e ajuda a identificar alterações antes que o problema avance. O passo a passo inclui observar os lábios por dentro e por fora, examinar gengivas e bochechas, levantar e movimentar a língua para observar laterais e parte inferior, verificar o céu da boca e a garganta, e procurar feridas, manchas brancas ou vermelhas, caroços, áreas endurecidas ou sangramentos.

"O autoexame não substitui a avaliação profissional, mas auxilia no diagnóstico precoce. Qualquer alteração que persista por mais de 15 dias deve ser investigada", Observe.

A recomendação é consultar o dentista pelo menos uma vez a cada seis meses, não apenas para cuidados odontológicos rotineiros, mas também para que o profissional examine a boca em busca de alterações suspeitas. Dados do Instituto Nacional de Câncer mostram que mais de 80% dos casos de câncer de cabeça e pescoço chegam aos serviços especializados em estágio avançado.

A Campanha Nacional de Prevenção e Diagnóstico do Câncer de Boca, conhecida como Maio Vermelho, busca aumentar a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce. Em Roraima, com seus 15 municípios e capital Boa Vista, o desafio se soma às dificuldades de acesso a serviços especializados que muitas comunidades enfrentam.

Qualquer ferida que não desapareça em até 15 dias deve ser avaliada por um dentista ou profissional de saúde. A atenção aos sinais e a realização regular de consultas odontológicas podem fazer a diferença entre um tratamento eficaz e complicações mais sérias decorrentes do diagnóstico tardio.

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