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O Governo de Roraima inaugurou nesta quarta-feira (14/10), o primeiro Centro de Radioterapia do Estado, anexo ao Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento. A unidade, que recebeu autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear, já iniciou os atendimentos oncológicos, representando um marco para o Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

O Centro integra o Plano de Expansão da Radioterapia do SUS e contou com um investimento de R$ 16.970.310,58. A obra teve participação do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, do Governo de Roraima, via Secretaria de Saúde (Sesau), e da Universidade Federal de Roraima (UFRR), responsável pela doação do terreno.

Até a inauguração, pacientes com indicação de radioterapia precisavam se deslocar para outros estados. Segundo levantamento da Sesau, cerca de 700 pessoas utilizaram o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) entre 2025 e 2026, com aproximadamente 70% necessitando exclusivamente de radioterapia. A estimativa era de que 500 moradores deixassem Roraima anualmente para o procedimento.

Em 2025, o Governo do Estado destinou mais de R$ 2,8 milhões para pacientes em TFD para radioterapia. Em 2026, até agosto, as despesas ultrapassaram R$ 822 mil. Com a nova unidade, a expectativa é reduzir drasticamente as viagens e os gastos associados.

Benefício para pacientes e famílias

O governador Soldado Sampaio destacou que o principal benefício vai além da economia.

“A questão é o sentimento das pessoas, é o afastamento da família. [O câncer] é uma doença agressiva, você já entra num processo de tratamento dolorido, e mais ainda longe da sua família, e isso torna mais difícil ainda o tratamento. Então, mais importante do que reduzir custos, é o fato de poder tratar as pessoas aqui”, afirmou.

Durante a cerimônia, foram entregues as chaves de dois ônibus para o transporte de pacientes de outros municípios. Rosalva Raimundo da Silva, diretora de Programa da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, explicou que a implantação do serviço é um avanço. Além disso, há custeio federal para esse deslocamento, tanto para o paciente quanto para o acompanhante. Não basta garantir o tratamento de radioterapia aqui; também precisamos garantir que esses pacientes cheguem ao atendimento, declarou.

A superintendente estadual do Ministério da Saúde em Roraima, Andréa Rosado Maia Oliveira, enfatizou a parceria entre os governos federal e estadual. Ela lembrou que a unidade permitirá que pacientes permaneçam próximos de seus familiares.

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“Essa obra vem para fazer com que mães não precisem sair de perto dos filhos e pais não tenham que deixar suas famílias para buscar um tratamento longo fora do Estado. Hoje, o Ministério da Saúde faz essa entrega junto com o Governo de Roraima. A população e o SUS têm muito a ganhar”, celebrou.

Para o início das atividades, 56 pacientes aguardam na fila. A capacidade diária prevista é de 70 a 80 pacientes, o que deve atender a demanda inicial. O de Saúde, Rafaell Azevedo, ressaltou a importância do apoio familiar.

“Essa estrutura é para a população, para os usuários do SUS e para os roraimenses. O tratamento afeta não apenas o paciente, mas também todos que estão ao redor dele. Poder receber esse cuidado perto de casa traz esperança e permite que a pessoa continue acompanhada por sua família durante esse momento”, declarou.

A secretária-adjunta de Saúde, Juliana Gomes, destacou a mudança para os pacientes.

“Há anos lutamos por isso e conseguimos avançar, os pacientes da radioterapia serão finalmente tratados no nosso Estado. Todo ciclo da quimioterapia do paciente oncológico será feito dentro do Estado e isso é maravilhoso, sem contar com os benefícios financeiros, visto que o custo com o TFD vai diminuir drasticamente”, afirmou.

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Tipos de tratamento e modalidades

O atendimento começa com o encaminhamento do oncologista. No Centro, o médico radioterapeuta avalia o caso e solicita exames, como a tomografia, para planejamento individualizado. O paciente inicia o tratamento em uma máquina chamada acelerador linear, com acompanhamento multidisciplinar.

A unidade oferecerá duas modalidades: teleterapia e braquiterapia. A teleterapia tratará cânceres como o de mama, cabeça e pescoço, tórax, útero e próstata. A braquiterapia será utilizada principalmente para o câncer de colo de útero.

“Se tiver indicação para a radioterapia, ele entra para fazer um processo de planejamento do tratamento e iniciar o tratamento numa máquina chamada acelerador linear. Esse paciente é preparado e passa por múltiplos profissionais, nutricionista, psicólogo, assistente social, fisioterapeuta, quando as necessidades desse paciente precisam disso”, explicou um porta-voz do Ministério da Saúde.

A paciente Simone Leal, 48 anos, diagnosticada com câncer de mama, celebrou a inauguração.

“Eu pulei de alegria, gritei ‘glória a Deus’, porque não sair da minha casa, do conforto do meu lar e do meio da minha família ajuda muito no tratamento. É uma conquista muito grande para o nosso Estado. Não só eu, mas todos os outros pacientes vão ficar felizes em poder fazer a radioterapia aqui e terminar o tratamento no nosso Estado”, destacou.

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