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O cuidado com familiares que possuem doenças crônicas ou dependência pode gerar sobrecarga física e emocional nos cuidadores, levando a quadros de esgotamento, culpa e até luto antecipatório. A psicóloga e professora da Estácio, Giselle Oliveira, alerta para a necessidade de atenção à saúde mental dessas pessoas.

Segundo Oliveira, é comum que o cuidador reorganize toda a rotina em função das necessidades do outro, deixando em segundo plano o descanso, a vida social, o trabalho e a própria saúde.

"É muito comum que o cuidador sinta que nunca está fazendo o suficiente, mesmo dedicando grande parte do seu tempo e da sua energia. Por isso, cuidar de si também precisa fazer parte desse processo", explica.

Luto antecipatório e seus desafios

O luto antecipatório é um desafio frequente, especialmente para quem acompanha familiares com doenças graves, degenerativas ou em cuidados paliativos. À medida que a doença evolui, o cuidador vivencia perdas graduais relacionadas à autonomia, memória ou capacidade funcional do familiar.

Giselle Oliveira destaca que esse processo desperta sentimentos como tristeza, medo, ansiedade e impotência.

"Esse processo desperta sentimentos como tristeza, medo, ansiedade e impotência. Muitas pessoas ainda se culpam por sofrer enquanto o familiar está vivo, mas essas emoções são humanas e precisam ser acolhidas", observa.

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Burnout em cuidadores

Embora a síndrome de burnout seja mais conhecida no ambiente de trabalho, ela também pode atingir familiares que assumem os cuidados de outra pessoa por longos períodos. Entre os principais sinais estão cansaço persistente, irritabilidade, alterações no sono, dificuldade de concentração, perda do interesse por atividades antes prazerosas e sensação constante de sobrecarga.

Para Giselle Oliveira, preservar a própria saúde é essencial para continuar oferecendo um cuidado de qualidade.

"Ninguém consegue cuidar bem do outro quando a própria saúde física e emocional está comprometida. Descansar, manter vínculos sociais, dividir responsabilidades e buscar ajuda quando necessário são atitudes essenciais", aconselha.

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Quando procurar ajuda

A orientação é buscar acompanhamento psicológico quando o sofrimento começa a interferir na rotina, provocando sintomas persistentes de ansiedade, culpa, desânimo, isolamento ou esgotamento.

"Esperar chegar ao limite não é o melhor caminho. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas uma forma de preservar a própria saúde mental e oferecer um cuidado mais humanizado para toda a família", conclui a psicóloga.

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